Segunda feira, 20 de maio de 2019 Edição nº 14995 13/06/2018  










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Comédias estão mais dramáticas, diz executiva da HBO

Amy Gravitt, da HBO, diz que o gênero "está cada vez mais focado em suas histórias", citando "Veep" e "Silicon Valley"

GUSTAVO FIORATTI
Da Folhapress - Rio

As comédias americanas estão esgarçando fórmulas antigas da sitcom, e a obrigação da piada por minuto acabou saindo de foco.

Amy Gravitt, vice-presidente executiva de programação da HBO, atribui esse fenômeno a uma qualidade que foi roubada dos dramas: as situações ainda têm um peso em cada episódio dos programas cômicos, mas os roteiros passaram a dar mais valor ao enredo e às progressões de trajetórias dos personagens.

O gênero "está cada vez mais focado em suas histórias", resume Gravitt, citando "Veep" e "Silicon Valley", dois produtos cômicos na grade da HBO.

É possível pegar o velho "Friends", um clássico da comédia, como contraponto: verdade que o casamento entre Monica e Chandler crava no meio da velha série da NBC (hoje disponível na Netflix) uma mudança e tanto.

Mas as experiências dos seis amigos nova-iorquinos costumam se resolver entre o início e o fim de cada capítulo. As curvas existiam, mas eram lentas, o que permitia ver os episódios isoladamente.

Centrado na vida de uma figura política ficcional dos Estados Unidos, "Veep", que é exibida desde 2012, tem saltos consistentes entre uma temporada e outra (atualmente, é a sexta que está em exibição).

Coloca-se no centro da história uma personagem que, politicamente, tem papel secundário. Julia Louis-Dreyfus interpreta uma vice-presidente dos Estados Unidos de perfil patético, amparada (e constantemente atropelada) pelo teatro das relações de poder.

O espectador observa a ascensão da personagem, cujos objetivos profissionais sempre vêm em detrimento da vida íntima. Dreyfus levou seis prêmios Emmy pelo papel.

Para Gravitt, o que torna a série interessante são peculiaridades que a aproximam de um drama.

"Se você está vendo [uma história] sobre uma personagem do governo, você tem algo a mais ali", diz Gravitt, referindo-se às narrativas que se entrecruzam no período de um mandato. "Você investe em uma história de comédia como se ela fosse um drama, pois existe uma camada a mais em cima daquilo que faz você rir", explica.

Para "Sillicon Valley", exibida desde 2014, vale o mesmo princípio. A série tem uma grande virada logo no primeiro capítulo, quando um programador desimportante de uma startup descobre um algoritmo revolucionário, e seu achado passa a ser disputado por grandes empresas.

Os nerds de "The Big Bang Theory" demorariam séculos para um feito igual.

O que não mudou foi a longevidade dos produtos cômicos. "Por que comédias duram mais?", a reportagem questiona. A sétima e última temporada de "Veep" está prevista para o segundo semestre. ''Silicon Valley" está na quinta.

"Filmamos meia hora, versus uma hora de um drama; talvez essa seja parte da razão de dramas não terem tantas temporadas. As pessoas querem ir para outros projetos."

No caso de "Veep", também houve um esforço do canal e dos roteiristas para que a série não colasse sua acidez nas reivindicações e polêmicas de um momento político específico dos EUA, especialmente depois das eleições de Trump.

Segundo Gravitt, "houve um empenho [da HBO] para que a série não tivesse nenhum tipo de referência a nenhum político ainda vivo, evitando encampar um lado".

"Tentamos eliminar essa possibilidade para fazer com que a personagem vivesse em um universo muito particular, em vez de tentar captar o que sai nos jornais", explica.

No canal, as questões mais palpitantes do momento ficam para o "Last Week Tonight with John Oliver", talk show que "reflete melhor o que está acontecendo agora, politicamente".

"As séries surgem a partir de uma demanda da HBO sobre um tema?", questiona a reportagem. Gravitt diz que não, que a metodologia do canal para apostar em um programa é a de ouvir propostas de roteiristas.

"Mas há exceções. Antes de "Silicon Valley" já queríamos falar sobre tecnologia."





VEEP E SILICON VALLEY

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