Quarta feira, 16 de janeiro de 2019 Edição nº 14995 13/06/2018  










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MPE oferece denúncia contra bisavó de bebê indígena

Da Reportagem

Bisavó da recém-nascida indígena enterrada viva no quintal de uma casa, localizada em Canarana (633 quilômetros, ao leste de Cuiabá), Kutsamin Kamayura, 57 anos, foi denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPE) por tentativa de homicídio duplamente qualificado.

Para o MPE, ao enterrar a bebê, que recebeu o nome de Analu Paluni Kamayra Trumai, Kamayura tentou matá-la asfixiada e com a impossibilidade de defesa. A denúncia foi feita por meio da Promotoria de Justiça de Canarana.

O crime ocorreu na tarde do dia 05 de junho, na residência da acusada, que auxiliou no parto da neta Maialla Paluni Kamayura Trumai, de 15 anos. Depois de cortar o cordão umbilical, a bisavó enrolou a vítima em um pano e a enterrou no quintal, numa cova de aproximadamente 50 centímetros. A bisavó chegou a dizer que enterrou o bebê, e não comunicou os órgãos oficiais, segundo costume de sua etnia.

Porém, conforme o promotor de Justiça, Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho, a família não aceitava a gravidez da adolescente pelo fato dela ser mãe solteira. “Testemunhas relataram ao Ministério Público que a conduta criminosa foi premeditada e orquestrada semanas antes ao nascimento da criança”, informou o MPE.

A criança foi resgatada por policiais militares e civis cerca de 7 horas depois, após o recebimento de uma denúncia anônima. “Após o nascimento de Analu, no período da tarde, colocaram em prática o plano criminoso. Ninguém da família pediu qualquer tipo de auxílio ou ajuda à Casa de Saúde Indígena, apesar de Maialla, após o parto, apresentar hemorragia e precisar ser atendida”, traz um trecho da denúncia. Kutsamin Kamayura cumpre a prisão preventiva na Fundação Nacional do Índio (Funai) em Gaúcha do Norte. Além da bisavó, a avó da bebê continua presa.

Após ser retirada da cova, a criança foi encaminhada para o hospital municipal e, após avaliação, transferida para o Hospital Regional de Água Boa, onde passou por vários exames e apresentou hipotermia grave e distúrbio de coagulação.

Por conta desse diagnóstico, a bebê foi transferência para Cuiabá, onde seguiu direto para um leito de unidade de tratamento intensivo (UTI) neonatal da Santa Casa. Com quadro considerado grave, a recém-nascida respira com ajuda de aparelhos. Ela também precisou fazer hemodiálise e apresentou quadro convulsivo.

O senador José Medeiros informou que a CPI dos Maus-Tratos, da qual é relator, vai realizar diligência nos próximos dias para investigar o caso de bebê indígena enterrada viva. “Estamos diante de um tremendo absurdo! Um fato lamentável e que não ficará impune por esta CPI. Essa e outras denúncias serão investigadas por mim e pelo senador Magno Malta, na diligência que faremos em Mato Grosso”, afirmou. Magno Malta é o presidente da CPI.



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