Sábado, 25 de maio de 2019 Edição nº 14978 17/05/2018  










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UFMT suspende reajuste no preço cobrado no RU

Da Reportagem

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Myrian Serra, decidiu suspender o reajuste no valor do restaurante universitário (RU) até dezembro de 2018. A decisão foi encaminhada ontem aos estudantes da instituição federal de ensino superior (IFES) como forma de garantir o debate com a comunidade acadêmica. Mas, os alunos decidiram manter a greve e a ocupação dos blocos. Já os professores decidiram não deflagrar a paralisação.

Segundo informações da UFMT, no documento enviado pela reitoria aos comandos de greve dos estudantes e Diretório Central dos Estudantes (DCEs) dos campi de Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Araguaia e Rondonópolis, há o compromisso de construir, por meio do Conselho Universitário (Consuni), uma nova política de alimentação a partir de 2019.

Para isso, será necessária a readequação de despesas em 2018 para garantir o funcionamento da universidade. “Nas audiências públicas e nos espaços de discussão internos da universidade em que abordamos este tema, ouvimos sobre o apelo da não implementação deste formato de reajuste”, argumentou a reitoria.

As audiências são apontadas como forma de estabelecer mediação mais direta com toda a comunidade acadêmica. “Há um cenário de restrição orçamentária imposto às universidades públicas em nosso País. Embora atuemos contra isso no campo político e social, de forma imediata, também precisamos readequar nossas despesas internas. Mas ouvimos da comunidade acadêmica sobre a importância de participar ativamente deste processo”, disse Serra.

Conforme a UFMT, os recursos das universidades públicas destinados a despesas de custeio vêm caindo seguidamente nos últimos anos. O orçamento de 2017 para custeio, por exemplo, caiu 4,5% em relação ao exercício anterior. Esses contingenciamentos do Governo Federal, principalmente de custeio e de investimentos, têm impactado significativamente na situação financeira das IFES.

Do curso de Geografia, Jacqueline Oliveira informou que os estudantes decidiram manter a greve por acreditar que a decisão da reitora é uma forma de tentar desmobilizar o movimento estudantil em defesa do RU. “O que a gente quer de fato é revogar o aumento e também alterar o modelo de gestão do RU. Hoje, é uma empresa privada, que é a Novo Sabor, que faz esse gerenciamento e a gente entende que esse processo coloca em cheque o caráter público da universidade. A gente quer que essa gestão se torne pública, com aquisição de alimentos de pequenos produtores gerando renda para as famílias, consumindo alimentos com mais qualidade e que sirva como campo de pesquisa para os estudantes da universidade”, defendeu.

Já em assembleia geral realizada na tarde da terça-feira, os professores apesar de reconhecerem as péssimas condições em que se encontram as instituições públicas de ensino superior, entenderam que ainda não é o momento de apontar para uma greve local. No entanto, a discussão sobre a construção de uma greve nacional será levada ao Sindicato Nacional (Andes), na reunião do Setor das Instituições Federais de Ensino nos próximos dias.



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