Quinta feira, 12 de dezembro de 2019 Edição nº 14977 16/05/2018  










RENATO DE PAIVA PEREIRAAnterior | Índice | Próxima

Políticos profissionais

Por ingenuidade, que a idade tinha obrigação de eliminar, ou ao menos diminuir, acreditei em 2014, com a eleição do governador Taques que era possível implantar uma gestão livre das nefastas influências dos políticos profissionais.

A situação de Mato Grosso nessa ocasião era (e é ainda) de profundo caos ético com o envolvimento da maioria dos deputados estaduais em diversos escândalos, como mostraram as delações divulgadas pela imprensa.

O Senador Taques eleito ainda no primeiro turno para comandar o Estado, tinha uma força política extraordinária para impor uma reforma inusitada. Primeiro pela sua história de combate ao crime e porque foi eleito com esse discurso/promessa de conduzir o governo como ninguém tinha feito até então.

Estou certo de suas boas intenções de fazer algo novo. Tanto que nomeou secretários jovens e tecnicamente preparados para cada função, como tinha prometido. A par disso criou o Gabinete de Transparência que, entre outras funções, apuraria todas as denúncias levadas até ele.

Não deu certo. Passado um ano mais ou menos os auxiliares começaram a ser substituídos por políticos manjados, alguns até com investigações criminais em andamento. Pouquíssimos sobreviveram até agora, como é o caso do Secretário Ciro Rodolfo na Controladoria Geral.

Em algum momento o governador se deu conta de que não era possível governar sem trazer os deputados e os partidos políticos pra dentro de casa. Cedeu em sua notória intransigência de Procurador da República, que alguns chamavam de teimosia. Na verdade a diferença entre persistência e teimosia é o resultado: se deu certo é o prêmio pela persistência; se deu errado, a punição pela teimosia.

Acrescente-se que o governador, cuja principal e comprovada virtude sempre foi a ética, acompanhada da disposição de combater o crime, teve vários secretários afastados e processados pela justiça. Por ironia, quem mais combatia o crime dividia a casa com corruptos, muitos dos quais estão hoje sendo processados.

Parece que na democracia brasileira não é mesmo possível governar sem distribuir os cargos entre os partidos políticos e que competência e probidade são variáveis que não importam muito na escolha dos auxiliares.

No começo do governo Taques escrevi sobre essa grande novidade nacional que era governar com pessoas competentes, novas e probas à revelia dos partidos. Depois, voltei ao assunto repercutindo o bom momento que o Estado passava, quando a imprensa nacional destacava essa ousadia na forma de governar.

Hoje estou convencido de que a inocente esperança manifestada nos artigos que escrevi, foi apenas uma recaída passageira da minha convicção de que não vamos mesmo nos livrar da intromissão dos políticos profissionais no dia a dia do executivo.

Se o governador Taques com sua insuspeita retidão de caráter não conseguiu, é melhor “tirar o cavalo da chuva” e aceitar que sempre o executivo pedirá benção aos políticos profissionais. E receberá o apoio, claro, mediante a entrega do necessário regalo para abastecer ávidas caixas, insaciáveis bolsas e gulosos paletós, como vimos nas inesquecíveis gravações do ex-secretário Silvio César, que a mídia nacional divulgou.



* RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor

renato@hotelgranodara.com.br



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