Quinta feira, 18 de julho de 2019 Edição nº 14975 12/05/2018  










* JOSÉ LUIZ TEJON MEGIDO Anterior | Índice | Próxima

Bolsonaro e a China

Bolsonaro arrumando encrenca com o maior cliente do Brasil: arroubos que criam agouros.

Como se já não sobrassem problemas internos no país, onde temos inimigos das mais distintas facções, lá vai agora Bolsonaro se meter e arrumar encrenca na Ásia.

O Brasil representa uma área geopolítica segura para os interesses de todos os países do mundo, na questão de segurança alimentar. E sem dúvida, a China assim vê o Brasil. Ela significa hoje o maior cliente do agronegócio brasileiro e o maior cliente, em tudo. Comprou mais de 47 bilhões de dólares ano passado, investiu de 2010 até 2015 mais de 37 bilhões de dólares no Brasil.

Em um tour asiático, a família Bolsonaro andou derramando palavras de ordem contra a invasão chinesa, e ainda os afrontou, indo a Taiwan e tendo encontros com seus líderes políticos.

O Brasil não é os Estados Unidos, nem Rússia, nem Japão e nem a Europa. Somos um país tropical, situado em uma área geopolítica de independência e equidistância em conflitos internacionais.

O Brasil significa para a China, Rússia e Oriente Médio um excelente parceiro estratégico, pois seria impensável o país se meter em algum tipo de conflito ou preferências ideológicas por este ou aquele, acima do único interesse nacional, fazer o comércio e atrair investimentos dentro das nossas regras e leis; além de desenvolvermos um cliente que é sonho de vendas de todos os fornecedores do planeta, a China, nosso freguês.

Compramos aproximadamente a metade do que vendemos para os chineses, e essa relação de trocas será, sim, cada vez mais alvo de negociações, e precisamos nos preparar para isso.

Um erro de arroubos é colocar medo nas relações e inserir palavras de ordem falso nacionalistas que só podem atrapalhar o agronegócio brasileiro.

Como pré-candidato à presidência da República, deveria visitar nossos clientes e olhar zonas novas de acordos, além de aprender com os mesmos, e se tão interessado assim está no agronegócio brasileiro, deveria Bolsonaro ir investigar por que compramos alho e feijão preto da China, se o país é do agronegócio.

Com certeza se surpreenderia ao ver investimentos em tecnologia e redução de custos na cadeia produtiva chinesa, o que significaria belas lições para um brasileiro que quer se meter a liderar o Brasil.

O Brasil não deve criar dependências com um ou dois mercados. O país deve sim vender mais com mais capilaridade e valor agregado. Mas atacar o cliente número 1, ou é burrice, ou tática eleitoreira de um despreparado.



* JOSÉ LUIZ TEJON MEGIDO, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM

camila.lopes@alfapress.com.br



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