Quarta feira, 20 de fevereiro de 2019 Edição nº 14973 10/05/2018  










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Mauro Savi e Paulo Taques são presos

Gaeco prende deputado, ex-secretário, irmão dele e 3 empresários em operação contra fraudes no Detran

MIDIANEWS
Deputado estadual Mauro Savi
Ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

O deputado estadual Mauro Savi (PSB) e o ex-secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques foram presos na manhã de ontem, quarta-feira (09), durante a segunda fase da Operação Bereré, intitulada como “Bônus”.

Por conta da prisão, o deputado socialista também foi afastado do cargo. Ambos são acusados de envolvimento em um esquema de pagamento de propina e desvio de dinheiro do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

No total, foram decretados seis mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em Cuiabá, São Paulo e Brasília. As ordens partiram do desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça.

Além de Savi e Taques, também foram presos o irmão do ex-secretário de Estado e seu sócio no escritório de advocacia, Pedro Jorge Zamar Taques e os empresários Claudemir Pereira dos Santos, José Valter Kobori e Roque Anildo Reinheimer.

A operação Bônus é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas do ex-presidente do órgão de Trânsito Teodoro Moreira Lopes, o Dóia; do irmão do ex-governador Silval Barbosa, Antônio Barbosa; e dos empresários José Henrique Gonçalves e José Ferreira Gonçalves Neto, sócios da EIG Mercados (antiga FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação Ltda.).

Investigações do Gaeco dão conta de que o ex-secretário Paulo Taques recebeu R$ 2,6 milhões em propina para garantir a continuidade do contrato da EIG Mercados com o Detran durante a gestão do governador Pedro Taques, seu primo.

Conforme o Ministério Público, as negociações para o pagamento ilegal começaram antes mesmo de o gestor tucano assumir o comando do Palácio Paiaguás.

Prova disso, é que o primeiro pagamento feito a Paulo Taques teria ocorrido em dezembro de 2014. Na ocasião, foi repassado o montante de R$ 1,4 milhões ao advogado.

O segundo pagamento, por sua vez, aconteceu no ano de 2015. Conforme o empresário José Ferrera Gonçalvez Neto, naquele ano, Kobori solicitou propina no valor de R$ 1,2 milhões a empresa em nome de Pauloo Taques. O montante foi pago em 10 parcelas, em 2016, através da EIG Mercados LTDA.

A decisão ainda relata que o ex-secretário, seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques e o empresário Valter Kobori, “valeram-se de seu conhecimento jurídico para criar engenhosas artimanhas para maquiar o recebimento de propina”.

Além disso, ficou constatado que o Pedro Jorge e Kobori estariam atuando no sentido de esconder a suposta participação Paulo Taques no esquema. Para tanto, forjaram diversos documentos.

“Esses fatos e provas demonstram que Paulo Taques, Pedro Jorge Taques e Kobori trabalham no sentido de dificultar a produção de provas a respeito dos crimes por eles praticados, de modo que suas prisão se fazem necessárias para garantia da investigação criminal e da futura instrução processual”, diz o desembargador em sua decisão.

Paulo Taques, por sua vez atribuiu a sua prisão a boatos. “Parece que alguém, falou para alguém que um terceiro alguém ouviu uma pessoa pedir dinheiro em meu nome”, disse ontem ao chegar ao Gaeco.

Já sobre o deputado Mauro Savi, Zuquin, em sua decisão afirmou que ele é marcado pela “dissimulação”. Isto porque, o parlamentar atua simulando negócios jurídicos legítimos que não existem, com o intuito de dar legalidade às atividades criminosas relacionadas ao recebimento de propina.

Conforme as investigações, o deputado recebia o dinheiro do esquema por meio de Claudemir Pereira dos Santos, também preso na Operação.

“Com sua habilidade e influência, ele mescla as atividades relacionadas com o exercício do mandato parlamentar que ocupa, com as ações atinentes aos esquemas de recebimento ilícitos de vantagens indevidas, dando roupagem de licitude aquilo que, segundo as investigações, é ilícito”, diz trecho do despacho que culminou na prisão do parlamentar.

Savi, entretanto, afirmou estar tranquilo e negou participação no esquema de desvio de dinheiro do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). “Obstrução de contrato, obstrução de Justiça, eu nunca fiz isso. O contrato passou por um monte de gente já. Não tem problema nenhum, estou tranquilo com esta decisão”, afirmou o parlamentar pouco antes de ser remetido a audiência de custódia.

Savi, Paulo Taques e os demais presos na 2ª fase da Operação Bereré, batizada de Operação Bônus, prestarão depoimento junto ao Gaeco nesta quinta-feira (10). Apenas o empresário Roque Anildo não será interrogado, tendo em vista que ele já foi ouvido pelos promotores de Justiça durante a primeira fase, a qual ele também foi alvo.

Conforme o Gaeco, os investigados fazem parte de uma organização criminosa que desviou dinheiro dos cofres do Detran por meio de contratos milionários firmados entre a autarquia e empresas de fachada. Na primeira fase, inclusive, o Tribunal de Justiça decretou o bloqueio de R$ 27,7 milhões das contas e bens de 17 alvos da Operação.

O desvio de dinheiro público na autarquia teria começado no ano de 2009, durante a gestão do então governador Silval Barbosa (PMDB). O esquema teria sido possibilitado por meio da Resolução 320/09, a qual determinava que os contratos de financiamento de veículos e cláusula de alienação fiduciária, assim como o arrendamento mercantil de compra e venda com reserva de domínio público ou privado, deveriam ser registrados no Detran. A intenção era aumentar a arrecadação do órgão.

“A partir daí, segundo o Ministério Público, referindo ao que foi investigado, deu-se início uma organização criminosa para fraudar licitação, abrir empresa fantasma, e auferir vantagens com o recebimento de propina, envolvendo dezenas de pessoas para acobertar todas as irregularidades e dar roupagem de legalidade ao serviço prestado pela empresa direcionada”, afirmou o Gaeco.



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