Sexta feira, 23 de agosto de 2019 Edição nº 14952 07/04/2018  










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Um olhar sobre Cuiabá e Mato Grosso

Governador e duas vezes prefeito da capital, Frederico Campos fala sobre infraestrutura, divisão territorial, corrupção e política

DINALTE MIRANDA/DC
O ex-governador e ex-prefeito Frederico não poupa críticas aos prefeitos Mauro Mendes e Emanuel Pinheiro
EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Amparado por uma bengala, com passos lentos, o ex-prefeito de Cuiabá e ex-governador Frederico Campos desce os 18 degraus da escadaria dos aposentos de sua casa. Estende a mão em cumprimento e tem dificuldade para se sentar. “Fui submetido a uma cirurgia no pé (direito) e fiquei internado por cinco dias”, encontra meio para justificar sua dificuldade de movimentos.

Mesmo convalescendo da cirurgia Frederico Campos é a imagem da alegria à espera da festa familiar para seu aniversário de 91 anos em 11 deste abril. Com a audição comprometida, pede com paciência que se repita aquilo que não consegue ouvir bem. Porém, seu falar é o de um homem maduro esbanjando saúde e com a mente povoada por sonhos. A pauta seria ouvi-lo sobre Cuiabá, cidade que administrou duas vezes, e que igual a ele está às vésperas do aniversário - nesse domingo completa 299 anos - e também sobre Mato Grosso. Não seria justo força-lo a uma longa entrevista e, além disso, o que disse responde a praticamente tudo que poderia lhe ser perguntado.

Desencantado com a classe política em razão dos escândalos que de tantos aguardam na fila para serem mostrados pela mídia e crítico quanto às obras de fachada ou mal executadas, Frederico Campos continua o mesmo homem público que se tornou respeitado por sua lisura no trato do dinheiro público e que não aceita falcatruas.

“Essa conversa de corrupção é antiga. Quando governador, fui a Washington onde obtive um financiamento de US$ 195 milhões no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Meu interlocutor pediu o número de minha conta pra que eu recebesse uma propina sobre o empréstimo. Mandei que fosse às favas; mas essa prática continua e se avoluma”, lamenta.

Detalhista, Frederico Campos sempre se orienta por sua formação acadêmica de engenheiro civil. Critica a urbanização do bairro do Porto feita pelo ex-prefeito Mauro Mendes, “aquilo é obra de fachada” e não economiza crítica tanto para Mendes quando para seu sucessor Emanuel Pinheiro, pela instalação de uma fonte luminosa e da infraestrutura de lazer criada no entorno da Lagoa do Paiaguás, “aquilo fede. Eles não se atentaram para o esgoto. Preferiram comprar um fonte luminosa chinesa muito cara”, acentua.

Frederico Campos aposta no amanhã de Cuiabá, mas faz uma consideração e um alerta, “Centenas de prédios foram construídos pela iniciativa privada nas últimas décadas, mas não basta lhes expedir o Habite-se. O correto seria proporcionar condições de acesso para suportar o trânsito que os atende e criar áreas de lazer no entorno deles”. Levando em conta a topografia acidentada da capital, ele chama a atenção para o aumento forçado do custo para a construção de redes coletoras de esgoto, “é preciso planejar isso muito bem”, avalia.

No macro Frederico Campos entende que a divisão territorial de Mato Grosso em 1977 foi muito benéfica, porque serviu de incentivo para a ocupação do Nortão e do Vale do Araguaia. “A divisão fez Cuiabá crescer 10% ao ano e dobrar a população nas primeiras décadas. Quem vinha (para o Estado) formar fazenda deixava a família na capital, o que contribuiu muito para seu crescimento”, pontua.

Mesmo afastado dos meios políticos Frederico Campos acompanha os acontecimentos. Sua memória contrasta com sua fragilidade física. De raciocínio rápido, cita com riqueza de detalhes fatos ocorridos há 30, 40, 50 anos e avalia bem o quadro a seis meses da eleição. “O Pedro (Taques) é meu amigo; é bom rapaz e bem intencionado. O problema é que fazer política agora é muito difícil porque muitos colocam seus interesses acima dos de Mato Grosso. Comigo foi diferente, porque fui nomeado pelo presidente da República e não tive que fatiar o poder, o que permitiu que eu fizesse um governo muito austero e com boa resolutividade”, finalizou.



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· Apesar da idade continua com lucidez em   - Onofre Cezario




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