Sábado, 21 de setembro de 2019 Edição nº 14952 07/04/2018  










ALINE ALMEIDAAnterior | Índice | Próxima

Onde nos perdemos?

Em que caminhos nos perdemos. Essa é uma pergunta que paira em minha mente todos os dias. Ainda lembro-me dos tempos em que as crianças faziam aquelas tradicionais filas para entrar na sala de aula. O hino nacional era sagrado, ao menos uma vez na semana. Hoje, dificilmente nossas crianças sabem uma estrofe do nosso hino.

Chegávamos cedo à escola, faltar aula era motivo de preocupação. Afinal teríamos um aprendizado perdido e claro, muito conteúdo para copiar. Nas séries iniciais, a musiquinha “bom dia professora como vai” era cantada com alegria. Os nossos professores eram vistos como inspiração.

Ah, e as brigas na escola, existiam sim. Mas ali mesmo terminava. O temor de ser levado para diretoria fazia com que os atritos findassem. E quando chegávamos à escola e percebíamos que não tínhamos feito o dever de casa. Os últimos minutos antes do início da aula eram cruciais para fazê-lo. Dia de prova era dia de terror total, estudávamos, mas mesmo assim a apreensão era grande.

Respeitávamos o vigilante, a cozinheira, a tia da limpeza, a coordenadora chata. Os colegas eram colegas. Tínhamos também problemas de estrutura, sofríamos com escolas sucateadas, com problemas na educação. Mas conseguíamos aprender, respeitar e nos formar.

Não sei em meio a tudo isso onde nos perdemos. De repente, não fomos dando importância às pequenas mudanças negativas que iam surgindo. Tudo era visto como algo normal e como uma fase. Nenhuma providência era tomada. E hoje vemos a educação, principalmente a pública se definhando.

O professor que muitas vezes era visto com admiração, hoje já não desfruta de respeito. Vemos nossos educadores literalmente esgotados. Mal remunerados, sem estrutura e sendo até mesmo agredidos pelos alunos. O medo de ser levado à direção já não existe mais. Nem mesmo medo de expulsão. As brigas estão cada vez mais violentas e as escolas estão se tornando ringues.

As estruturas continuam ainda mais sucateadas. O conteúdo continua o mesmo. A educação não consegue se adaptar às mudanças. As aulas ficam chatas, a evasão aumenta. Os pais estão cada vez mais ausentes, entregam a escola o dever de educar e formar cidadãos. Tudo vai se tornando em um ciclo negativo onde a educação sempre é prejudicada.

Quando perceberemos que estamos perdendo nossas crianças. Estamos perdendo o direito à educação de qualidade. Que o despertar não seja tarde. Ou melhor, que o despertar seja agora.



ALINE ALMEIDA é repórter



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