Sábado, 21 de setembro de 2019 Edição nº 14952 07/04/2018  










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Elza Soares prepara novo disco

O novo disco, "Deus É Mulher", deve sair ainda neste mês

FABIANA SCHIAVON
Da Folhapress – São Paulo

Sem entregar a idade (possivelmente entre 80 e 87 anos), a cantora Elza Soares comemora as boas críticas ao seu último trabalho, o disco "A Mulher do Fim do Mundo" (2015), e a movimentada agenda internacional de shows. Por outro lado, a artista vinha enfrentando pressão desde que decidiu fazer um novo álbum e precisou lidar com as expectativas de que ele teria de ser tão bom quanto o anterior. E finalmente chega, ainda neste mês, o disco "Deus É Mulher".

A artista decidiu, no novo trabalho, manter boa parte dos seus parceiros, músicos e compositores do último disco.

"Deu medo iniciar um novo trabalho, porque o sucesso é perigoso. Após um disco muito forte e de muito sucesso, é difícil emplacar outro em seguida. Mas, quando finalizei as gravações de "Deus É Mulher", tive a certeza de que vem aí um disco mais forte e mais maduro ainda do que o anterior. Estou tranquila", diz Elza.

O produtor Guilherme Kastrup fez uma seleção prévia entre as mais de 60 músicas enviadas por compositores. "Este álbum foi tomando vida própria. Depois que o Kastrup fez sua escolha, nos reunimos, eu e meus empresários, para ouvir as músicas. Fui aprovando somente as que eu realmente sentia, as músicas que me diziam algo. Além disso, dei palpites em outras faixas, que chegaram diretamente para mim, como foi o caso de "Deus Há de Ser", do Pedro Luiz. Quando ouvi, fiquei louca!"

Foi essa música que fez a cantora definir o nome do disco, "Deus É Mulher". Elza conta que o título surgiu dentro do avião, em conversa dela com os seus empresários. "Eu tinha minhas dúvidas, mas, à noite, em Salvador, onde eu faria um show, meu empresário Juliano Almeida saiu para jantar. Encontrou o restaurante cheio, mas, de repente, apareceu uma moça que resolveu tudo para ele em outro restaurante. Ele perguntou: "Como assim?". E ela respondeu: "Deus é mulher!"", conta Elza, aos risos.

Com o título decidido, a cantora incorporou novos conceitos ao álbum finalizado. "A lógica deste trabalho é que, após o apocalipse do disco anterior, nasce um novo mundo. Ele é regido pela energia feminina e leva a mensagem de esperança de que Deus é mulher!"

APOSTA - Elza Soares acertou quando apostou em uma nova geração de músicos e compositores para gravar o seu último disco, "A Mulher do Fim do Mundo" (2015). Com esse time somado à potência de sua voz e à força de sua interpretação, Elza venceu o Grammy Latino e o Prêmio da Música Brasileira, em 2016, entre outras premiações. A crítica nacional e internacional foi só elogios. O jornal americano "The New York Times" o elegeu entre os melhores álbuns daquele ano, em uma lista que tinha Beyoncé e David Bowie. A imprensa especializada em música a citou como uma das maiores cantoras brasileiras dos últimos tempos.

"O que aconteceu com o trabalho de "A Mulher do Fim do Mundo" foi tão lindo, tão significativo, que eu quis continuar com a mesma turma do álbum anterior", conta Elza Soares. Ainda sem muitos detalhes a respeito das composições de "Deus É Mulher", sabe-se que o time principal continua em ação. Há composições, por exemplo, de Rômulo Fróes. Ele foi o compositor da faixa que deu nome ao álbum anterior e, agora, é também diretor artístico deste CD.

Fróes faz parte do grupo de novos compositores paulistanos, também formado por nomes como Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral. Todos eles participaram destes dois últimos discos de Elza, como músicos, como produtores ou compositores. A banda que gravou o novo álbum ainda teve um reforço feminino, com a percussionista Mariá Portugal e com Maria Beraldo, que toca clarinete e clarone.

ATIVISTA – O novo disco de Elza Soares não deve deixar de fora de suas letras a luta das mulheres por mais espaço na sociedade. A cantora, que passou bons anos da vida sendo julgada por seu relacionamento com o jogador Mané Garrincha (1933-1983), que ainda era casado quando os dois se conheceram, sofreu violência doméstica por anos. Para ela, ainda há muito o que mudar.

"Essa é uma luta que já começou há muitos anos, mas somente agora a mulher está conseguindo mais espaço para se expressar. É muito difícil! Já avançamos, mas ainda falta muito", diz a cantora. "Os homens têm medo da força da mulher. Eles fazem questão de não enxergar, mas Deus é mulher, Deus é mãe", define Elza, citando o título de seu disco.

A artista ainda faz questão de manter uma postura otimista, mesmo em tempos complicados, em que a violência e a corrupção são notícia. "A Marielle deixou um caminho a ser seguido. Ela cumpriu a sua missão e agora nós é que temos de continuar. Isso pode ser um sinal de mudança, um ponto de partida para acordarmos", defende Elza, citando a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), morta a tiros no mês passado, durante um atentado no Rio de Janeiro.



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