Domingo, 25 de agosto de 2019 Edição nº 14952 07/04/2018  










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Mobilidade urbana é um dos grandes desafios da cidade

Da Reportagem

Um dos grandes desafios de Cuiabá é a questão de mobilidade urbana, apontada como a chave para integrar a cidade territorialmente e para se pensar o modo de como se dará a prestação dos serviços públicos e o acesso da população a todos os equipamentos existentes, inclusive, aqueles destinados à cultura e ao lazer. Nesse contexto, um dos aspectos negativos na cidade tem sido o trânsito, que costuma travar nos horários de picos ou durante a ocorrência de um acidente.

Atualmente, a capital conta com uma frota de pouco mais de 400 mil veículos. Por meio da assessoria imprensa, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) reconheceu que a malha viária da cidade não está mais suportando a quantidade de carros e motocicletas e que uma forma de amenizar os gargalos tem sido investir em tecnologia. Exemplo disso é a instalação dos semáforos instalados nas principais vias da cidade, campanhas educativas, além de estudos para alargamento de pistas.

Especialistas na área apontam outras saídas. “O principal desafio é vencer a tentação de se procurar resolver o problema do trânsito, de mobilidade ou do transporte público por si só sem pensar na cidade como um todo. A cidade é muito mais que o trânsito”, disse o professor, urbanista e arquiteto, José Antonio Lemos. “A cidade é mais que o sistema de transporte ou vias, carros ou motos. Quanto mais alarga ruas e se constrói viadutos, mais carros vêm. O planejamento tem que envolver o uso e a lei do solo, verificar onde vai morar gente, onde as pessoas vão trabalhar ou onde vai ter mais áreas de lazer justamente para poder locar o sistema de mobilidade e de transporte, como VLT se for o caso”, acrescentou citando a Carta de Atenas, que têm quatro funções: morar, trabalhar, lazer e circulação.

Ele acredita ainda que falta planejamento. “Cuiabá teve um sistema de planejamento que está, inclusive, colocado na Lei Orgânica do município e um capítulo da Política Urbana de 1989 previa, para 30 anos depois, ter uma cidade mais organizada. Dentro desse sistema, há o órgão chamado IPDU (Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano), que fazia esse planejamento, acompanhava a cidade para saber o que estava dando certou ou errado, registrava vinha sendo feito, cada equipamento público e privado lançado no espaço urbano de forma que se tinha um controle. E esse sistema foi desmantelado”, criticou.

Segundo o professor, hoje o IPDU é apenas um título dentro do organograma da prefeitura. “Antes, era uma autarquia que tinha diretoria, inclusive, de projetos especiais, que projetou, por exemplo, a Feira do Porto, o Parque Mãe Bonifácia, a primeira reforma da Orla do Porto, Avenida das Torres e do Moinho”, completou. (JD)



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