Quarta feira, 17 de outubro de 2018 Edição nº 14952 07/04/2018  










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Rebaixamento de fiação é desejo antigo

Da Reportagem

Ao completar 299 anos, Cuiabá inicia a contagem regressiva para o seu tricentenário. Mas, em meio aos seus três séculos de história, a capital ainda não realizou um de seus mais antigos sonhos: o rebaixamento da fiação elétrica na região do Centro Histórico, tombado como patrimônio nacional.

“Não digo que será uma vergonha, mas uma grande frustação ter Cuiabá fazendo 300 anos e a população tendo que conviver com o Centro Histórico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Nacional (Iphan), nestas condições em que se encontra. É uma situação em que não se consegue nem tirar os fios que estão pendurados nos postes e caindo pelas ruas, ameaçando a vida das pessoas e enfeiando a cidade”, lamentou o professor universitário, urbanista e arquiteto, José Antonio Lemos dos Santos, que também é conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/MT).

A intervenção é um projeto que vem sendo discutido há décadas, mas não sai do papel. “No caso de Cuiabá, seria a cereja do bolo ter o Centro Histórico revitalizado no aniversário da cidade”, disse. “Vamos ver se pelo menos tiram os fios do lixo aéreo, que as concessionárias de comunicação e de energia estão deixando na cidade inteira, principalmente, no Centro. São antigos fios que eram usados e estão desativados e sendo substituídos por cabos ópticos, por exemplo. Só que não estão sendo retirados e ficam caídos pelas ruas. Acho que estão esperando acontecer um acidente grave”, alertou.

Lemos entende que a iniciativa da prefeitura em revitalizar praças, becos e a tentativa de levar universidade para a região é um dos caminhos. Porém, não é o suficiente. “Lógico que esta é uma forma de tentar dar vida ao Centro Histórico, mas é necessário criar condições. Para isso, é necessário o rebaixamento dos fios”, reforçou citando a existência de casarões e igrejas na região, que tem em frente de suas fachadas a instalação de postes, emaranhados de fios e transformadores totalmente desproporcionais às arquiteturas coloniais.

Conforme ele, para o rebaixamento ser colocado em prática é preciso o envolvimento do Governo Federal, do Estado e do município. “Tem que ser conjunto. O Patrimônio Histórico Nacional tem que entrar como fez no Pelourinho, na Bahia, em Goiás Velho (GO), como fez em Ouro Preto (MG) e em Corumbá (MS)”, disse. “Há mais de 30 anos que se trabalha no sentido de resgatar e revitalizar a região, mas o governo Federal, o Estado e a prefeitura não se entendem. A primeira vez que vi os três sentarem objetivamente para tratar do assunto foi na época da Copa do Mundo de 2014. Eu achava que ia sair, mas não avançaram e estamos fazendo 300 anos”, completou.

A grosso modo com o projeto, saem os postes de energia, as fiações e as caixas das calçadas. Com isso, fica tudo embutido embaixo da rua, visando o menor impacto visual possível. Para se ter uma ideia de como o sonho é antigo, no dia 20 de abril de 2006, em matéria intitulada “Centro Histórico terá fiação oculta”, da jornalista Aline Chagas, o Diário informa que, à época, o Ministério do Turismo anunciava a liberação R$ 2 milhões para a restauração da região. O prazo final para a aplicação dos recursos anunciados era de três anos.

Já em 19 de junho de 2011, na matéria “Rebaixamento de fiação está mais próximo”, do jornalista Renê Dióz, o Diário informava que em até 60 dias Cuiabá daria o primeiro passo para que finalmente saísse do papel a ideia de rebaixar para a parte subterrânea as redes elétrica e telefônica da região tombada. Mas, a obra também não saiu do papel.

Na capital, a área tombada engloba locais onde a arquitetura histórica se mantém, como a Praça da Mandioca, o entorno da Igreja Senhor dos Passos, da Igreja do Rosário, a Academia Mato-grossense de Letras, trechos das avenidas Getúlio Vargas e das Ruas Barão de Melgaço, 7 de Setembro, Galdino Pimentel, 27 de Dezembro, Voluntários da Pátria, Cândido Mariano, Campo Grande, 12 de Outubro e Ricardo Franco. (JD)



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