Sábado, 20 de julho de 2019 Edição nº 14950 05/04/2018  










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Gilmar Mendes cita mídia opressiva

Da Folhapress – São Paulo

Durante seu voto na sessão sobre o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes citou reportagem da Folha de S.Paulo para criticar a atuação do que chamou de "mídia opressiva" e, "de uma certa forma, chantagista".

"Já vi quase de tudo. Nunca vi uma mídia tão opressiva como aquela que se tem feito nesses anos", disse Gilmar.

Ele classificou a reportagem publicada no último domingo que mostrou que os ministros do Supremo têm 88 folgas ao ano além dos fins de semana como uma forma de "chantagem".

"A matéria da Folha de domingo, dizendo que nós temos 88 dias de férias -essa matéria já deveria ter sido publicada. E eu concordo: nós temos que acabar com os feriados do Judiciário, temos que realmente acabar com as férias em dobro do Judiciário. Mas não mediante chantagem, [mas] como reflexão clara nossa", disse o ministro.

"É como se dissesse: se vocês se comportassem, a gente não publicaria isso", disse.

A reportagem mostra que um conjunto de regras editadas durante e entre as ditaduras do Estado Novo (1937-1945) e militar (1964-1985) permite aos ministros da corte 88 dias de descanso ao ano. Isso resulta em 196 dias úteis por ano - contra 227 em outras áreas do serviço público e na iniciativa privada.

Gilmar criticou ainda o jornal O Globo e o Jornal Nacional, da TV Globo, que, segundo ele, havia feito, na véspera, "um festival querendo provar" sua incoerência sobre a questão discutida nesta quarta. "Vocês verão que não tem incoerência nenhuma, senão responsabilidade institucional com o país", disse.

O ministro, que votou, em 2016, a favor da permissão para prisão após condenação em segunda instância, deu seu voto, ontem, em favor da concessão do habeas corpus ao ex-presidente Lula, condenado pelo TRF-4 por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ele citou uma reportagem do jornal O Globo sobre o episódio em que foi hostilizado em Lisboa por duas brasileiras para dizer que a mídia "estimula esse tipo de ataque".

"O Globo publicou a seguinte chamada: 'Vejam o que duas senhoras fizeram ao encontrar o ministro Gilmar Mendes nas ruas de Lisboa. O que você faria?'", citou.

"É esse o tipo de mídia opressiva que nós desenvolvemos. E é preciso dizer não a isso", afirmou.

Em nota, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) criticou o ministro. "A ABI repele a acusação infamante de chantagem e intimidação que Gilmar Mendes lançou sobre O Globo, Folha de S. Paulo e Rede Globo [...] O STF não pode agasalhar comportamentos histriônicos, incompatíveis com o Estado Democrático."

Gilmar também disse que o quadro de intolerância visto hoje no Brasil se deve, em grande parte, "à prática que o PT desenvolveu, ao longo dos anos, de intolerância, de ataque às pessoas".



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