Sexta feira, 15 de novembro de 2019 Edição nº 14945 28/03/2018  










MÚSICAAnterior | Índice | Próxima

Davi Moraes brilha em disco solo

Da Folhapress - Rio

Exímio guitarrista, nobre filho da família Novos Baianos, galã, Davi

Moraes sempre teve tudo para ser um popstar por si só, mas seus dois

primeiros discos, “Papo macaco” (2003) e “Orixá mutante” (2004), não

o levaram a esse patamar. Militando num pop-afoxé dançante,

esmerilhando na guitarra e na produção, ele conseguiu um hitzinho

com “Na massa” — talvez um resumo perfeito do artista, balançada,

levada pela distorção e por um refrão redondo, regravada por Adriana

Calcanhotto em “Partimpim dois” (2009) —, e pouca coisa mudou.

Mais de uma década depois, o filho de Moraes Moreira — o garoto que

encantou o mundo (pré-internet) com sua guitarra baiana no Rock in

Rio de 1985, aos 11 anos — dá mostras de estar encontrando sua

trilha musical neste “Tá em casa”. Funks balançados, temperados pela

guitarra luxuosa, com sabor de dendê, já estava claro que ele sabia

fazer. Desta vez, no entanto, as levadas ganharam um cheiro de samba

(seria influência de Maria Rita, mulher de Davi e uma das muitas

participações estelares do disco?), como se ouve em “Charme veneno”

(de autoria de Samir), e eventualmente de bossa nova (“Só nós dois”,

parceria de Davi com Calcanhotto, abrilhantada pela voz de Maria

Rita, e a instrumental “Tarde em Botafogo”, em que a guitarra de

Davi dialoga com o piano de Fernando Moura).

Instrumental? Como Davi Moraes não pensou nisso antes? Ele

obviamente deve ter pensado, mas “Tá em casa” é uma realidade: seis

das 12 faixas não têm vocais, em ritmos diversos, desde “Do Caribe”,

um mergulho na guitarrada ao lado dos paraenses Manoel e Felipe

Cordeiro (pai e filho), até o lindo choro elétrico que leva o nome

do disco, parceria com Cainã Cavalcanti, que gravou o (bom) violão,

liberando Davi para brilhar na guitarra.

Os funkões dançantes, em que flui o sangue baiano, estão lá: “Vem de

Malê”, “Menina do gueto” — esta com formação de big band, percussão,

sopros, o sarapatel todo —, “Rio Vermelho”. Davi não é um cantor de

muitos recursos, mas soa confortável em meio ao instrumental

suingado, soltando os dedos na guitarra sempre que pode. Aí está um

dos segredos: o instrumento é usado em prol da música. Técnica para

tirar onda de guitar hero, ele já devia ter aos 8 anos, não precisa,

aos 44, provar para ninguém que pode ser Yngwie Malmsteen. “Cutuca”,

de Davi com Fred Camacho e Marcelinho Moreira, é mais um samba

saboroso, embrulhado com elegância pela formação elétrica que o

apraz. As instrumentais “L & R” (dedicada a Lincoln Olivetti e

Robson Jorge, monolitos do disco-funk carioca) e “Recife, cidade

lendária”, de Capiba (1904-1997), com Davi na base e o violoncelo de



Jacques Morelenbaum defendendo a triste melodia, lembram mais uma

vez que as influências de Davi Moraes são muitas. Difícil é saber

canalizá-las em boas canções, e ele parece estar dominando essa

Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto




19:13 Victório Galli diz que Selma Arruda vai para o PSL
19:11 Após reunir com Jayme, Dilmar Dal Bosco continua no DEM
19:10 TJ nega pedido para suspender ação de grampos ilegais
19:09 MP investiga ‘fantasmas’ na Câmara
19:09 Após nova reunião, deputados decidem continuar no partido


18:32 BOA DISSONANTE
18:31 Pasta verde
18:31 É agora Lava Jato!
18:30 Virgílio Corrêa – 130 anos
18:30 Erudição é fundamental
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2018