Terça feira, 23 de julho de 2019 Edição nº 14943 24/03/2018  










RENATO DE PAIVA PEREIRAAnterior | Índice | Próxima

O ministro da saúde e o placebo

O Ministro da Saúde anunciou na semana passada a implantação de novas terapias alternativas na rede pública de saúde do país. Estão agora disponíveis mais dez “placebos”, aumentando para cerca de vinte as opções para esse tipo de tratamento.

Os hospitais públicos já tão carentes de médicos e de remédios básicos, onde todos os dias morrem pessoas por falta de aparelhos de tomografia, raios-X e similares, vão desviar os parcos recursos que têm para essas perfumarias que somente se sustentam na crendice popular.

Portadores de moléstias crônicas às vezes ocasionadas por medicação interrompida por falta de estoque ou de doenças agudas que requerem remédio de resposta rápida, não podem servir de laboratório para testar cromoterapia, aromaterapia, florais, imposição das mãos (Reiki), constelação familiar e outros placebos, como quer o Ministro.

Ele deveria vir a público testemunhar sobre fatos acontecidos com ele, familiares ou colegas de ministério que tenham substituído consultas a infectologistas ou cardiologistas por “imposição das mãos” ou uma sessão de “constelação familiar” e que foram curados.

O efeito placebo existe. Estima-se que cerca de trinta por cento das pessoas conseguem alguma melhora tomando qualquer coisa inerte, como água com açúcar, por exemplo, quando acreditam no seu poder de cura. Parece que a expectativa de melhora que a pessoa experimenta tem o dom de liberar neurotransmissores que aumentam a sensação de bem estar.

Mas isso só acontece com males que estão sujeitos ao estado de espírito do doente. Nenhuma tuberculose vai ser curada sem a intervenção médica e uso de remédios específicos. Também a AIDS ou o câncer seguirão seus caminhos, mesmo que a pessoa submeta-se à “terapia de florais” ou à “bioenergética”.

O Conselho Federal de Medicina criticou a decisão do Ministro e orientou os médicos para não indicarem tais terapias. Com razão, pois o atraso ou a substituição de protocolos convencionais por passes, infusões ou aromas podem provocar sérios danos aos pacientes.

Se é para desviar dinheiro público destinado a curar doenças para ser aplicado em paliativos enganadores, sugiro a opção abaixo, no mínimo muito mais econômica:

Vamos criar um aplicativo de celular nos moldes do Uber para atender aos doentes do SUS que o Ministro quer submeter à “bioenergética”, ”constelação familiar”, “terapia de florias”, ”imposição das mãos” etc.

Nosso imaginado sistema cadastraria padres, pastores, monges, pais-de-santo, pajés, médiuns e sacerdotes de várias crenças, depositários naturais da fé das pessoas, que rezariam com os doentes, imporiam as mãos ou fariam sessões de constelação familiar sem cobrar nada.

Trinta em cada cem dos doentes que procurassem esses líderes religiosos voltariam “curados” pelo efeito placebo, comprovando o ditado que “se o caso não é de morte, água de pote é remédio”. Os outros setenta retornariam à fila do SUS para buscar ajuda médica e, se tiverem sorte, porque aqui a fé não ajuda, em 90 dias serão atendidos, se conseguirem sobreviver até lá.



* RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor

renato@hotelgranodara.com.br



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