Sexta feira, 26 de abril de 2019 Edição nº 14943 24/03/2018  










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Garantir o direito humano à leitura

Pensar futuro das crianças brasileiras e a humanização das relações sociais foi objetivo do Seminário Arte, Palavra e Leitura

ENOCK CAVALCANTI
Especial para o DC Ilustrado

"Se cheguei ao coração de algumas pessoas, isso é um luxo, um luxo enorme. Procurei fazer da minha vida uma coisa honesta, amorosa." Palavras emocionadas da escritora italo-brasileira Marina Colasanti que, nos seus 81 anos, foi homenageada durante o 1º Seminário Arte, Palavra e Leitura na 1ª Infancia que aconteceu em São Paulo, nos dias 13, 14 e 15 de março, organizado pelo Itaú Social e pelo Sesc São Paulo, com curadoria do Instituto Emília e da Comunidade Educativa Cedac, e apoio do Instituto C&A e da (AC/E) Associação Cultural Espanhola. Com público formado por pesquisadores, educadores e pais, o encontro teve como principal objetivo estabelecer intercâmbio para refletir sobre o futuro das crianças brasileiras e as melhores forma de se assegurar não só a sua saúde mental como também a sua melhor adequação às relaçôes humanas, em um mundo em que a brutalidade segue como ameaça sempre presente, notamente para os mais jovens.

Levado em tom de entusiasmo, o seminario, todavia, foi encerrado com tom amargo devido ao impacto sobre os participantes do assassinato, na noite de 15 de março, da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio de Janeiro e a constatação, feita pelo ex-secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura do Brasil (MinC e MEC), o filósofo José Castilho Netto, de que o desmonte do PNLL é um dos maiores desafios a ser enfrentado, atualmente. "O direito à leitura, como fator de formação pessoal de cada um de nós, é um direito fundamental que temos que defender custe o que custar", destacou Castilho.

OS ESPECIALISTAS - O seminário Arte, Palavra e Leitura teve como sua grande inspiração o desejo de aprofundar o debate sobre a arte, a palavra e a leitura na vida da criança, considerando as novas descobertas nos campos cognitivo e educacional, e visou também ampliar os subsídios teóricos e práticos em uma área em que a bibliografia em língua portuguesa ainda é escassa e em que a ampliação da reflexão se coloca como uma necessidade fundamental para a formulação de políticas e estratégias para a formação de futuros leitores.

Nesse sentido foram convidados especialistas de diversos países tais como Beatriz Sanjuán (escritora de livros infantis e professora associada de Didática de la Literatura Infantil na Universidad de Oviedo, Espanha), Lorena Velosa ( coordenadora do Observatório Ibero-Americano de Cultura e Educação para a primeira infância – OPI e do Centro Regional para o Fomento do livro em América Latina e Caribe – CERLALC – UNESCO), Maria Emilia López ( especialista em educação precoce e leitura na primeira infância e diretora do Jardim Materno da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires), Paloma Valdivia (ilustradora e escritora chilena), Patricia Boher Pereira-Leite ( psicóloga clínica e psicanalista, cofundadora e coordenadora de projetos de A Cor da letra – Centro de Estudos em Leitura, Literatura e Juventude, no Brasil), Yolanda Reyes (escritora e educadora colombiana. Fundadora do “Espantapájaros”, projeto de formação de leitores especializado em primeira infância), Stela Barbieri (artista, educadora, escritora e consultora nas áreas de educação, artes e literatura, no Brasil), Rodrigo Lacerda (escritor, tradutor, professor, editor, e autor de O fazedor de velhos (romance juvenil, 2008, prêmio de Melhor Livro Juvenil da Biblioteca Nacional e prêmio Jabuti), Lucas Ramada Prieto (doutor em Didática da Literatura pela Universidade Autônoma de Barcelona, autor de “EstoNoVaDeLibros”, primeiro canal de divulgação sobre ficções digitais para crianças no Instagram).

DIREITO HUMANO - O seminário se desenvolveu em mesas redondas em que os especialistas debateram temas como "Rompendo paradigmas e semeando futuros leitores", "Um mundo aberto, a cultura na primeira infância" e "Arte, poesia e mundo digital na primeira infância". Destaque para a participação de Bel Santos Mayer, coordenadora do Programa de Direitos Humanos do Ibeac (Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário), gestora da Rede LiteraSampa e também do programa de formação de jovens da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura. Bel foi a primeira a defender, de forma enfática, a leitura como um direito humano. "A biblioteca é um lugar de encontro e que promove um tipo de empoderamento, capacitando as crianças para uma visão mais ampla de mundo, vital para as transformações pessoais e coletivas. Todas as crianças devem ter assegurado este acesso às bibliotecas e à leitura", defendeu ela.

Bel Santos Meyer debateu demoradamente os resultados obtidos na biblioteca gerenciada por adolescentes e jovens em Paralheiros, distrito rural localizado na zona sul de São Paulo há quase dez anos. "Uma das motivações ao iniciarmos o projeto foi pensar: por que quem está plantando não tem direitos de ter o mesmo prazer de ler? A literatura só faz sentido quando nos sentimentos pertencentes. A partir daí, contribuímos com a formação de um grupo que se tornasse referência dentro das suas comunidades". Ela relatou que a presença da biblioteca é impactante, contribuindo para maior interação dos jovens que cuidam dela e atuam como mediadores de leitura, juntamente com as mães mobilizadoras, que não se limitam a uma atuação dentro da biblioteca mas fazem também com que os livros e as histórias cheguem às casas das crianças daquela comunidade. A biblioteca comunitária de Paralheiros ficou como uma experiência exemplar, dentro do seminário, com incentivo para que possa se reproduzir em outras regiões de São Paulo e do Brasil.

PLANO NACIONAL DO LIVRO – Na mesa redonda que encerrou o seminário, o destaque ficou por conta do resgate, em tom contundente, que o filósofo José Castilho Netto fez do Plano Nacional do Livro e da Leitura no Brasil, extinto pelo atual Governo Federal.

“Nós voltamos a trabalhar contra a correnteza. A luta pelo direito à leitura começou em 1930 com Mário de Andrade. Finalmente, o PNLL teve sua origem em mais de 150 reuniões públicas em todo o País nos anos de 2005 e 2006, ocasião em que sugestões para o Plano foram colhidas pelo ministro Gilberto Gil. Foi uma conquista democrática do povo brasileiro. É lastimável constatar que hoje tentam transformar esta conquista em letra morta”, disse Castilho

Ele defendeu a retomada do Plano como uns dos recursos fundamentais para se forjar uma nova geração que fuja à barbarie do poder de uns sobre os outros. “Direito à leitura é um direito fundamental da pessoa humana. Temos que buscar um desenvolvimento que não seja só econômico mas que contemple a pessoa em sua integralidade – e para isso o conhecimento através da leitura tem que está no centro de nossas preocupações”, enfatizou.



*O repórter viajou a São Paulo a convite do Itaú Social.



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