Terça feira, 20 de agosto de 2019 Edição nº 14943 24/03/2018  










EFEITO DAS CHUVASAnterior | Índice | Próxima

Maioria dos municípios tem calamidade

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Nas duas últimas décadas, mais de 70% dos municípios de Mato Grosso registraram situação de emergência (SE) devido a desastres hidrológicos, como inundações, alagamentos, enxurradas e chuvas intensas. Mas, apesar das ocorrências serem frequentes, o Estado não possui instituído o Comitê Estadual de Saúde em Desastres (CESD).

Dos 141 municípios mato-grossenses, 100 (70,9%) tiveram as calamidades provocadas pela força da natureza reconhecidas pelo Governo Federal, no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de julho de 2017. Neste ano, por exemplo, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu o estado de emergência em Novo Mundo e Juruena (a 791 quilômetros e 893 quilômetros, respectivamente de Cuiabá) por conta de estragos causados pelas fortes chuvas.

O levantamento faz parte do boletim “Desastres naturais e saúde: análise do cenário de eventos hidrológicos no Brasil e seus potenciais impactos sobre o Sistema Único de Saúde”, lançado, anteontem, pelo Ministério da Saúde (MS) durante a semana do Fórum Mundial da Água, em Brasília. No documento, o MS ressalta a necessidade da formalização do CESD, em Mato Grosso.

O boletim do Ministério da Saúde mostra que mais da metade das cidades brasileiras registram situação de emergência no mesmo período. Ao todo, foram 6.164 ocorrências emergenciais reconhecidas pelo Governo Federal, em 2.872 municípios de todas as regiões do país, no mesmo período.

Conforme o MS, os desastres de natureza hidrológica, dentre eles as inundações, é a segunda ocorrência mais frequente no país, ficando atrás apenas de eventos climatológicos, tais como, a seca e estiagem. A região sul apresentou 76,7% de seus municípios com, ao menos, um registro de emergência reconhecida pelo Governo Federal, seguida pelas regiões nordeste (47,2%), sudeste (45,4%), centro-oeste (39,4%) e norte (38,0%).

Além de Mato Grosso, os estados que, no período avaliado, obtiveram mais de 70% de suas localidades acometidas por eventos hidrológicos foram Roraima (100%), Amazonas (95,2%), Ceará (78,8%), Espírito Santo (83,3%), Rio de Janeiro (77,2), Santa Catarina (89,8%) e o Rio Grande do Sul (81,9%).

A diretora do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde, Daniela Buiosi, considera que a análise dos dados contidos no Boletim é “um relevante subsídio para o desenvolvimento de ações de preparação, resposta e recuperação aos desastres pelo setor saúde”.

O levantamento alerta ainda para o aumento do risco de doenças e agravos em situações de desastres hidrológicos como afogamentos, doenças diarreicas agudas, choques elétricos, leptospirose e transtornos psicossociais. Na maioria dos eventos adversos, a maior demanda pelos serviços de saúde se produz nas primeiras 24 a 48 horas. Depois das primeiras 72 horas podem surgir doenças causadas pelo consumo de água contaminada, pela aglomeração de pessoas, pela exposição climática e pelo aumento de vetores.

Com base nos dados desse boletim, o Plano de Contingência para Emergência em Saúde Pública por Inundação está sendo atualizado pelo Ministério da Saúde, buscando uma atuação coordenada no âmbito do SUS.

IMPACTOS - O boletim do MS traz ainda dados de outras publicações com relação a prejuízos causados por desastres. De acordo com relatório do Banco Mundial sobre os danos e prejuízos causados por desastres no Brasil, elaborado com base em estimativas de perdas comunicadas pelos municípios aos órgãos de Defesa Civil dos governos estaduais e federal, em um período de 20 anos (1994-2014) registraram-se perdas totais de R$ 182,7 bilhões, sendo que R$ 137,3 bilhões correspondem aos prejuízos públicos e privados e R$ 45,4 bilhões aos danos materiais.

Em 2017, 34 municípios de Mato Grosso solicitaram a decretação de situação de emergência. Com o auxílio da Defesa Civil no Estado eles requereram um montante de R$ 124.881.351,32 ao Governo Federal por meio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil para 243 ações e obras de reconstrução. Desse total, foram liberados R$ 63.574.629,33 e mais de R$ 25 milhões ainda estão em análise.



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