Segunda feira, 19 de agosto de 2019 Edição nº 14935 14/03/2018  










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'Duda e os Gnomos' não foge dos estereótipos

MARINA GALEANO
Da Folhapress - São Paulo

Sentada no banco de trás do carro, com os olhos vidrados na tela do celular, a garotinha de cabelo rosa parece alheia a outra mudança de cidade, de casa, de escola. "O lar é onde está o coração", sugere a trilha sonora, antes de mãe e filha estacionarem o veículo em frente a uma mansão mal-assombrada.

Após essa breve apresentação, não é preciso grande esforço para adivinhar os rumos de "Duda e os Gnomos", animação insossa dirigida por Peter Lepeniotis, animador canadense que também assina o morno "O que Será de Nozes" (2014).

A história de Duda - que se chama Chloe na versão original -, discorre sobre as dificuldades enfrentadas pela criança diante de um novo (e às vezes hostil) ambiente: se adaptar, fazer novas amizades etc.

Tema bastante habitué em filmes infantojuvenis, diga-se. Porém, enquanto uns conseguem fugir do óbvio - "Divertidamente" (2015), dos estúdios Disney, talvez seja o melhor exemplo -, outros se agarram aos estereótipos e insistem no mesmo viés.

Sabe-se lá o motivo, a mãe de Duda não aquieta em lugar nenhum. As duas ficam pulando de cidade em cidade e, por isso, a menina sofre para levar uma vida normal. Vive sozinha, sem amigos.

Tenderville, o próximo destino da dupla, tampouco parece promissor. Em um casarão abandonado, meio caindo aos pedaços, uns gnomos estranhos espalham-se pelos cômodos.

Apesar de terem potencial, as criaturas fantásticas não acrescentam muito à narrativa. Bem caracterizados e expressivos, os simpáticos baixinhos de chapéus vermelhos e pontudos participam de uma subtrama enfadonha sobre portais e seres malignos que não inspiram medo algum. Um desperdício.

Enquanto precisa ajudar os tais gnomos, Duda luta para ser aceita na escola; fazer parte da seleta turma das garotas populares, que mascam chiclete compulsivamente e não largam seus smartphones nem por um minuto (sim, há inúmeras alfinetadas à relação de dependência entre os jovens e a tecnologia).

Mas é Liam, um nerd histérico e irritante, quem vai ensinar à protagonista o sentido real da palavra amizade. Juntos, os dois embarcam numa corajosa jornada para livrar o "gnomundo" da ameaça dos troggs. Ou, principalmente, para se livrarem da ameaça da solidão.

E assim, cheia de fios soltos e clichês por todos os cantos, a animação "Duda e os Gnomos" se desenrola durante longos 85 minutos, projetando na tela aquilo que grande parcela do público já havia sido capaz de antecipar.



DUDA E OS GNOMOS

(GNOME ALONE)

DIREÇÃO Peter Lepeniotis

PRODUÇÃO Canadá/EUA/Reino Unido, 2017, livre

QUANDO estreia nesta quinta (1º)

AVALIAÇÃO ruim



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