Segunda feira, 18 de junho de 2018 Edição nº 14934 13/03/2018  










LUCINEIA SOARESAnterior | Índice | Próxima

De quem é a riqueza?

Na semana passada grandes veículos de comunicação de Mato publicaram matérias que confundiram nossa cabeça: “Com aumento de 14,1%, PIB de MT cresce mais que o dobro que o da China (Olhar Direto 28-02-18)”; “Neurilan: Repasses atrasados da saúde ultrapassam R$ 160 milhões (Mídia News 27-02-18)” e “MT tem a menor renda domiciliar per capita do Centro-Oeste (Mídia News 01-03-18)”.

Três manchetes quem dariam boas perguntas para pesquisas acadêmicas, gestores, profissionais da comunicação e a população interessada no orçamento público.

As respostas podem ser das mais diversas, eis algumas hipóteses ou como diz o palavreado popular, alguns palpites.

O PIB é um número da economia que mostra o quanto a sociedade produziu entre bens (geladeira, carro, soja, mesa de escritório, etc.) e serviços (médicos, advogados, ensino, manutenção do ar condicionado, etc).

Olhando esse número podemos medir o quanto essa sociedade produziu economicamente e o seu nível de riqueza.

Então a primeira reportagem já comemora o resultado que Mato Grosso produziu mais em comparação a 2016.

Porém, produzir mais não significa de imediato ou proporcionalmente, mais emprego, renda, e arrecadação para o Estado por exemplo. Isso porque o setor produtivo pode buscar outras estratégias (modernização dos equipamentos, ampliação da jornada de trabalho, melhores matérias primas) que levem a esse aumento.

E também pode não significar mais dinheiro para o Estado, principalmente se o Estado utiliza de incentivos como a renúncia de receita.

Na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2018 a expectativa é que o Estado deixe de arrecadar mais ou menos três bilhões e meio de reais, duas vezes o que o Estado vai gastar com recursos próprios em saúde, uma vez o que vai para educação, esporte e Lazer, 55 vezes o que está planejado para a Secretaria de Cultura e pasmem 265 vezes o que está destinado ao Fundo Estadual de Assistência Social.

Agora a segunda reportagem tráz informação do atraso no repasse aos municípios para a política da saúde. O Estado transfere dinheiro para a saúde do município porque é obrigação. O SUS é de responsabilidade dos três governos (federal, estadual e municipal).

E cada um tem que cumprir determinadas obrigações, o PSF, o posto de saúde é de obrigação do município, porém o Ministério da Saúde o Estado tem que financiar.

E por fim a ultima reportagem, o IBGE aponta que Mato Grosso tem a menor renda domiciliar per capita da Região Centro Oeste, o que isso significa, que mesmo tendo um PIB maior que o da China, ganhamos pouco, ou seja, a renda, o salário de um trabalhador aqui é mais baixa se comparamos com os trabalhadores de outros estados, inclusive é menor que a média nacional.

Porém, o mais interessante é quem em 1966, num diagnostico realizado pelo governo Pedro Pedrossian para a elaboração do Plano de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso (Plade) que deveria atender ao período de 1966 – 1970 há a seguinte frase “que mesmo melhorando o nível de renda interna e “per capita” o estado de Mato Grosso ainda esta distante dos demais estados da federação.

Portanto, 52 anos depois a riqueza produzida em Mato Grosso não chegou de fato às casas do povo e muito menos nas políticas como a saúde, educação, saneamento básico, moradia, cultura, etc.

Fica a pergunta inicial, de quem realmente é a riqueza mato-grossense?



* LUCINEIA SOARES é doutoranda em Sociologia e Mestre em Política Social

lucineiasoares@bol.com.br



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