Terça feira, 18 de junho de 2019 Edição nº 14930 07/03/2018  










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Agronegócio em risco

O Brasil é um dos países mais competitivos do mundo no agronegócio. E quanto maior o alcance das exportações, mais relevante o risco de os concorrentes aproveitarem brechas para impor barreiras aos produtos brasileiros. Essas oportunidades surgem justamente em momentos de fraqueza do sistema sanitário, como a descoberta de animais doentes nas propriedades produtoras, fraudes em laudos técnicos para frigoríficos e análises falsas de laboratórios. São fatores que abalam a confiança dos consumidores internacionais.

Foi o que aconteceu há cerca de um ano, com a Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal. Por causa de um quadro claro de corrupção envolvendo grandes frigoríficos e funcionários públicos federais, por pouco o Brasil não perde seus principais mercados importadores de carnes. Quase 20 países adotaram algum tipo de restrição à carne brasileira, entre os quais Hong Kong, China, Chile, Argélia e Egito. Vinte e um estabelecimentos de grande porte tiveram suas habilitações suspensas e passaram a ser investigados.

No fim de 2005, o surgimento de um caso de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e outro no Paraná provocou estragos enormes nas exportações brasileiras. Missões técnicas do Ministério da Agricultura foram enviadas a vários países. Autoridades sanitárias estrangeiras vieram para o Brasil verificar in loco o funcionamento da fiscalização em fazendas e frigoríficos. É sempre um processo desgastante para governo e exportadores.

Exemplos não faltam. Em meados do ano passado, os Estados Unidos anunciaram a suspensão de todas as importações de carne in natura do Brasil. A decisão foi noticiada poucos meses depois de o governo brasileiro ter finalizado uma negociação, que durou uma década, para a abertura do mercado americano para a carne fresca brasileira. Autoridades daquele país informaram a existência de "preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos".

O Brasil é um dos maiores exportadores de carne de boi e de frango. Vende para mais de 100 países, que possuem legislações sanitárias específicas. Entre os mais exigentes estão EUA, Europa, China e Japão. Higiene, qualidade e segurança são prioridades nos critérios de avaliação.



Concorrentes aproveitam brechas para impor barreiras aos produtos brasileiros, um dos mais competitivos do mundo no setor



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