Sexta feira, 26 de abril de 2019 Edição nº 14930 07/03/2018  










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Documentário exibe construções maias escondidas

REINALDO JOSÉ LOPES
Da Folhapress – São Paulo

O arqueólogo guatemalteco Francisco Estrada-Belli e seus colegas usaram tecnologia de ponta para realizar um feito digno de Indiana Jones: a descoberta de uma cidade inteira construída pela civilização maia -incluindo templos, pirâmides e fortificações- oculta há séculos pela floresta tropical.

"Achamos que dezenas de outras cidades talvez possam ser encontradas na mesma região", declarou Estrada-Belli em entrevista por telefone.

O documentário "Tesouros Perdidos dos Maias", que começou a ser exibido no sábado (17), às 20h, no canal National Geographic, relata a história e o significado dos achados em Xmakabatun (nome atribuído à metrópole maia engolida pela mata) e em outras cidades pré-colombianas.

Os dados arqueológicos indicam que os maias construíram suas primeiras cidades-Estado a partir de 700 a.C.

Monarquias poderosas se desenvolveram em diversos núcleos dessa civilização ao longo de séculos. Pouco antes do ano 1000 d.C., por motivos que ainda não estão totalmente claros, os principais centros urbanos maias sofreram um colapso político e populacional, embora ainda houvesse cidades desse povo quando os espanhóis chegaram à América Central e ao México no século 16.

Para detectar a presença das ruínas de Xmakabatun debaixo da densa cobertura vegetal, Estrada-Belli e seus colaboradores usaram a tecnologia conhecida como Lidar, que envolve o disparo de muitos pulsos de laser a partir de um avião sobrevoando a floresta. Como se fosse o eco de um grito, o pulso de luz "bate" nas estruturas que estão no solo e volta para o avião.

Com base no tempo que leva para o laser ser refletido pelos objetos no chão, um programa consegue montar um mapa tridimensional do que existe lá embaixo.

A varredura, por enquanto, foi realizada numa área de 2.000 quilômetros quadrados de selva, revelando um total de 60 mil estruturas desconhecidas tanto na "cidade perdida" quanto em centros maias já bastante estudados.

Uma das grandes surpresas, segundo o pesquisador guatemalteco, é a presença de uma rede de grandes fortalezas e muralhas que sugere uma organização detalhada de alguns Estados maias para a guerra -no caso da região, provavelmente comandada pela dinastia dos Reis-Serpentes, que chegaram perto de assumir status imperial alguns séculos antes do colapso dessa civilização.

Os dados podem ajudar a repensar pontos do próprio colapso maia, diz Estrada-Belli.

"Uma das hipóteses a respeito desse fenômeno é que os maias estavam desmatando maciçamente a região, produzindo erosão e empobrecimento do solo, o que levou a sucessivas perdas de colheitas, fome e conflitos."

"Mas o que estamos vendo é um grande investimento em terraços, canais, controle do fluxo de água e outras grandes obras para moderar os efeitos da erosão. Poderia ter sido uma civilização muito mais sustentável do que aquilo que imaginávamos até agora."



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