Quarta feira, 24 de abril de 2019 Edição nº 14930 07/03/2018  










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Fábio Porchat estreia em dose dupla

JULIA ALVES
Da Folhapress - São Paulo

"Agora não tem desculpa para não me assistir, estou em todo lugar", afirma Fábio Porchat, 34, que estreou em dose dupla na segunda-feira (5). O humorista apresenta o Programa do Porchat pelo terceiro ano na Record, e aparece pela primeira vez em um programa não humorístico, o Papo de Segunda, na GNT.

Porchat acredita que um programa de debates é super necessário no atual contexto do país e que as pessoas precisam aprender a conviver com opiniões contrárias. "O debate é muito importante para a democracia. Somos uma democracia recente, então o brasileiro está aprendendo a lidar com isso."

Para o humorista, o Papo de Segunda vai além de um trabalho, será também um ambiente de aprendizado. Agora que será obrigado a opinar sobre temas polêmicos, Porchat afirma não sentir medo de prejudicar sua imagem, mesmo sabendo que uma parte das pessoas o acharão "um imbecil completo".

"Estou ciente de que terá de tudo. É natural. Fico mais preocupado em estudar e me informar que com qualquer outra coisa. Já estou por dentro do que acontece no país, mas vou ouvir mais opiniões, até mesmo para formar a minha."

Ele apresenta o programa ao lado do filósofo Francisco Bosco, do rapper Emicida, e do comediante e ator João Vicente de Castro, seu parceiro no humorístico Porta dos Fundos -um dos principais canais de humor exibidos no YouTube.

Além dos dois programas, Porchat afirma que continuará como roteirista e ator do humorístico. Ele diz ainda que o canal lhe proporcionou ser respeitado como comediante e trouxe a possibilidade de ser sua própria emissora.

PROGRAMA DO PORCHAT - Em seu terceiro ano, o talk show da Record continua de segunda a quinta, a partir da 0h15. O humorista afirma que o programa manterá o mesmo formato e esquetes de seus primeiros anos. "Fazemos um programa sem tentar inventar a roda. Faço tudo do meu jeito, não sou um personagem."

Quando foi convidado a ter um programa de entrevistas, Porchat diz que conversou com Jô Soares e com a equipe de Conan O'brien e Ellen Degeneres e recebeu conselhos para ser ele mesmo e fazer aquilo que faz melhor.

Com uma lista de 200 convidados já sabatinados em seu programa, ele afirma estar mais a vontade e que melhorou como apresentador desde a sua estreia. Diz que que aprendeu a ouvir mais e que o bate-papo ficou mais interessante.

A segunda temporada do programa registrou, em média, 4 pontos de audiência, segundo dados do PNT (Painel Nacional de Televisão). Cada ponto equivale a 688,2 mil espectadores, com 11% de share.

Apesar dos boatos de que o talk show pudesse ser descontinuado, Porchat afirma que nunca correu risco de cancelamento e que uma nova temporada já está garantida. "Sempre foi pensado como um programa duradouro. Não estou em horário nobre e a disputa por audiência é muito menor."

Atuando em todas as mídias, o humorista afirma estar descobrindo os sabores e dessabores da televisão aberta, mas que o que mais gosta de fazer é teatro. Ele ainda dá dica para quem deseja seguir seus passos, seja na televisão, teatro, cinema ou internet.

"A vida de roteirista, ator, apresentador é de muito trabalho e estudo. É necessário prestar atenção em tudo o que está acontecendo e fazer as coisas mais do seu jeito quanto for possível, sem copiar ninguém."

ANO ELEITORAL - "Oi, tia", diz Jojo Todynho, em uma ligação telefônica. "Fala, cachorra", responde a tia, arrancando gargalhadas da plateia. É com esse clima de improviso e escracho com os famosos, que marcou a primeira temporada, que "Programa do Porchat" retornou nesta segunda (5), tendo a funkeira como uma de suas primeiras convidadas.

Em ano eleitoral, o humorista e apresentador não terá como fugir de política e outros temas mais espinhosos. Se entrevistaria Jair Bolsonaro? "Eu entrevisto qualquer pessoa. Em um programa diário, o 'não' de hoje é o 'sim' de daqui a seis meses. Super entrevistaria", diz Porchat ao ser questionado por um dos jornalistas presentes ao lançamento da nova temporada, na última quarta (28) na Record, se o pré-candidato à Presidência sentará no seu sofá. "Geralmente o que o Bolsonaro fala é engraçado, no mau sentido", completou, sem perder a piada.

Porchat também não descarta os outros presidenciáveis. "Tem que ver a agenda deles, se eles topam, acho que topam." Para tentar não perder a mão do humor em meio à dura agenda que tem pela frente, o programa estreia o quadro "Brasil Dividido", inspirado em candidaturas de celebridades como Luciano Huck e Doutor Rey.

"A gente vai lançar a candidatura de duas pessoas famosas e comediantes vão defender as candidaturas. Então digamos: Anitta e Mr. Catra, quem seria o melhor presidente? A gente vai botar comediantes para defender por que a Anitta seria, por que o Mr. Catra seria, e plateia no final vai escolher quem ela elege para presidente. A gente vai brincar com a política mesmo não entrando no viés político", explica Porchat.

O humorista também frisa que o programa já falou de política em outras oportunidades. "O programa sempre falou em política, e sempre bateu em todo mundo. Isso é uma coisa muito legal da Record, de permitir que se fale de todo mundo. Obviamente tem a tal da lei eleitoral que tem que ver até que ponto que pode na televisão."

Também voltam ao ar os quadros que, na avaliação de Porchat, deram certo na primeira temporada. "Fiquei muito feliz de ter dado continuidade porque as coisas estão funcionando, de público e crítica. Acho que estreamos em um trilho muito legal, fomos mexendo, fazendo funcionar. Continuo botando minha mãe no meio. O 'Emergente como a Gente' vai seguir. O programa continua nessa linha de ter jogos, brincadeiras."

CONCORRÊNCIA - Porchat renovou com a Record por dois anos no final de 2017. "É bom porque eu comecei a reformar meu apartamento", brinca ele. No entanto, algumas coisas mudaram desde a estreia do humorista na Record em 2016.

Uma delas, foi o surgimento de dois novos talk shows: "Conversa com Bial", na Globo, apresentado por Pedro Bial, e "Lady Night", no Multishow, apresentado por Tatá Werneck, tornando ainda mais árdua a disputa entre talk shows, que já contava com Danilo Gentili (SBT).

"Convidado é uma guerra, por exemplo. É engraçado, o Gugu me deu o livro da Barbara Walters para ler, e ela fala da guerra de conseguir convidados para ela. Imagina, se a Barbara Walters teve dificuldade eu tenho que me suicidar amanhã cedo. Essa luta por convidado e exclusividade acho que vira assim: a necessidade é a mãe das invenções. Então, como é que você transforma um convidado que você talvez já tenha visto em algum lugar em uma coisa diferente para o seu programa?", questiona ele.

O apresentador conta como busca dar uma abordagem diferente a cada entrevistado. "Uma coisa que a gente pensa aqui é criar um quadro específico para aquela pessoa. Então Maitê Proença veio no programa e ela deu uma entrevista recentemente falando que lavou privadas na Índia. Então fizemos uma brincadeira dela da 'Guerra dos Tronos'. É uma bobagem, mas é uma bobagem divertida. O programa tem muito isso."

AUDIÊNCIA - Brigando pelo segundo lugar no horário, Porchat também diz não se deixar levar só pela audiência.

"Quero ganhar, claro. Queria dar muita audiência. Mas está tão maleável, porque a audiência depende de tanta coisa. Às vezes você faz um programa que você acha maravilhoso, vai mal. Aí um programa que você acha mais ou menos e vai muito bem. Nosso recorde foi com o Dinei. Uma coisa muito louca."

Eterna piada da atração, a receptividade dos convidados em participar do talk show na Record vem mudando, segundo Porchat, prestes a chegar à edição de número 250. "Eles estão mais a fim de vir, de estar aqui e fazer brincadeira. Acho que no início sempre tem uma desconfiança."



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