Sábado, 21 de setembro de 2019 Edição nº 14930 07/03/2018  










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Indefinição faltando 7 meses para eleição

Indefinição faltando 7 meses para eleição

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A quantidade de nomes é grande, mas candidatura consolidada e a um passo da convenção, somente a de Pedro Taques
EDUARDO GOMES
Da Reportagem

Desde 1998, com Dante de Oliveira, os governadores de Mato Grosso se reelegeram ao cargo em primeiro turno. Todas as eleições foram polarizadas. Situação e oposição botaram as cartas na mesa com clareza, sem prejuízo da formação de coligações. Neste ano o cenário da disputa é atípico, salvo um ou outro político, não há definição entre governistas e opositores, o que esvazia o debate, pois nenhum sabe quem será companheiro ou adversário em outubro. Sem oficialização nem desistência, nas rodas que discutem política, nos partidos e no noticiário são citados Pedro Taques, Wellington Fagundes, Jayme Campos, Carlos Fávaro, Mauro Mendes, Nilson Leitão, Antônio Joaquim e, mais recentemente, Dilceu Rossato e Zeca Viana. A quantidade de nomes é grande, mas candidatura consolidada e a um passo da convenção, somente a de Taques.

Eleição ao governo não é disputa isolada. Ela se insere num processo mais amplo, que inclui candidaturas ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Neste ano, ao menos quatro nomes que nas últimas eleições tiveram grande expressão nas urnas não estarão no palanque: o senador e ex-governador Blairo Maggi (PP), que anunciou seu afastamento dos palanques. O ex-governador Silval Barbosa (sem partido), que depois de quase dois anos numa penitenciária cumpre pena em regime domiciliar por crimes de improbidade administrativa dos quais é réu confesso. O ex-deputado estadual José Riva (sem partido), que controlou a Assembleia por 20 anos, esteve preso e acumula penas, das quais recorre em liberdade. E o deputado estadual e ex-prefeito de Sorriso, José Domingos Fraga (PSD), que deixa os meios políticos após ser flagrado recebendo dinheiro de Sílvio Corrêa, então chefe de Gabinete de Silval; José Domingos nega que o dinheiro tivesse origem criminosa. A saída de cena dos quatro abre vácuos para os grupos políticos e consequentemente terá reflexo na eleição ao governo.

No centro da eleição está o governador Pedro Taques (PSDB), que é apontado enquanto candidato natural da situação. Taques não assume a candidatura, não a descarta, mas empurra sua decisão para abril, após a Quaresma, “somente depois que comer a canjica do Sábado da Aleluia”, diz. Do grupo de Taques e também citados para o cargo, o vice-governador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal tucano Nilson Leitão, o ex-senador e ex-governador democrata Jayme Campos e o ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes.

Fávaro integra um grupo político da cadeia do agronegócio, e deverá acompanha-lo, independentemente de que caminho tome. Essa identificação tanto poderá reeditar a chapa Taques-Fávaro ao governo, como poderá empurra-la para outro palanque quer seja ou não candidato a algum cargo. Ou seja, ele é parte de um processo que mistura opção política com interesse empresarial.

Leitão é considerado o deputado mato-grossense mais influente em Brasília. Presidiu a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e agora lidera a bancada do PSDB na Câmara. Tucano de berço, exerceu diversos mandatos por aquela sigla. Aparentemente Leitão e Taques fumam o cachimbo da paz, mas precavido o governador tratou de distribuir companheiros de confiança para algumas siglas, como é o caso do PPS, ora dirigido por Marco Marrafon, depois de longo tempo sob o comando do ex-prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz. Essa precaução, segundo fontes ligadas aos dois, não seria em busca de uma rota de fuga, mas para criar condições partidárias para que em caso de afunilamento de nomes sobre ambos, Taques busque a reeleição pelo PPS e Leitão tente o Senado por seu velho PSDB.

Jayme é o principal líder do DEM, apoiou Taques em 2014 e teria participação no governo, enquanto fonte de consulta, por sua longa militância política. Seu nome cruza a imaginária linha que separa as candidaturas ao Senado e governo. Jayme tira proveito dessa condição, defende a participação de seu partido na disputa de todos os cargos, mas não fecha a porta que dá passagem nos dois sentidos à sua relação com Taques. “Estou conversando com todos”, disse recentemente num evento na Assembleia.

Mauro Mendes acaba de anunciar a troca do PSB pelo Democratas. Se o DEM compuser com Taques ele estaria fora do processo pela prevalência do governador. Com Jayme e sem Taques, Mauro teria duas pedras no caminho: o DEM não poderia lançar candidatos da Grande Cuiabá ao governo e Senado sem levar em conta os outros municípios; e se um deles tivesse que ceder certamente não seria Jayme.

O senador republicano Wellington Fagundes é citado enquanto provável candidato ao governo e na segunda-feira, 5, ensaiou um coro com seus apoiadores dizendo que está pronto, preparado e com vontade (de ser candidato), mas em seguida tratou de tirar o tom incisivo ao afirmar que a decisão somente será tomada pelas convenções. Wellington cumpriu seis mandatos consecutivos de deputado federal, mas nunca exerceu cargo executivo, muito embora por duas vezes tivesse tentado a prefeitura de Rondonópolis. Recentemente o Supremo Tribunal Federal recebeu denúncia contra ele, por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no famoso episódio da Máfia das Ambulâncias ou Sanguessugas, que ganhou as manchetes em 2006 envolvendo praticamente toda a bancada federal mato-grossense e dezenas de prefeitos. Wellington alega inocência, mas até o momento é o único entre os pré-candidatos ao governo que responde a ação de combate ao colarinho branco.

O conselheiro Antônio Joaquim sangra desde setembro do ano passado, quando foi afastado do Tribunal de Contas do Estado sob a acusação de recebimento de propina de Silval Barbosa. Ao longo do afastamento Joaquim tentou em diversos tribunais reverter sua punição, mas sem sucesso. Também buscou sua aposentadoria, o que foi negado judicialmente. Faltando menos de um mês para que os futuros candidatos se filiem, ele nada contra a correnteza para não perder a disputa com o relógio. Caso consiga, o líder do MDB, Carlos Bezerra, sinaliza em filiá-lo, mas sem garantia de candidatura majoritária, por se tratar de um partido de coligações imprevisíveis.

Zeca Viana (PDT) é deputado estadual reeleito e foi companheiro de Taques. Um entendimento em costura pelo seu partido com o PT e o PCdoB tenta montar chapa com ele ao governo e a ex-reitora da Universidade Federal (UFMT) Maria Lúcia Neder (PCdoB) ao Senado.

Dilceu Rossato filia-se hoje ao PSL juntamente com o presidente Jair Bolsonaro, para se candidatar ao governo. Rossato foi prefeito de Sorriso e figura entre os políticos mais ricos de Mato Grosso.

PSOL – Mauro César Lara de Barros, o Procurador Mauro, não participa do dia a dia político, mas disputou as últimas eleições estaduais e para a prefeitura de Cuiabá. Seu nome pode surgir tanto para o governo quanto para o Senado.

ELEITOR – Em meio ao universo da incerteza o eleitor acompanha os primeiros passos da disputa eleitoral. Cautelosos, políticos não fazem ataques raivosos nem melosos elogios, porque o amanhã é uma grande incógnita. O único que até agora destoou foi Zeca Viana, que na tribuna da Assembleia usou palavra de baixo calão contra Taques.

Paralelamente ao labirinto que pode causar rupturas ou formar alianças indesejáveis, os principais políticos tentam encontrar saída para a formação das chapas de seus candidatos a cargos proporcionais em meio a tantas denúncias, ações e delações contra deputados e ex-deputados.



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