Segunda feira, 18 de junho de 2018 Edição nº 14923 24/02/2018  










UBIRATÃ NASCENTESAnterior | Índice | Próxima

Luis-Philippe, oráculo cuiabano

As pessoas incomuns merecem ser lembradas, por tal razão merece este registro. Possuía ancestrais memoráveis, seu pai representava as famílias dos Pereira Leite, a genitora os Figueredo, Valadares e os Hugueney, que no decorrer de séculos vieram se destacar neste solo como administradores, militares, estudiosos e políticos. Interessante registrar sua origem remota, Leonardo Soares de Souza, lusitano de Setúbal o primeiro ancestral, chegou em Cuiabá em 1769. Logo no ano 1772 assenhora-se de área na serra das Araras, requerendo Carta de Sesmaria para ordenar o domínio das promissoras terras ao Cap. General Luis de Albuquerque M. P. e Cáceres. Neste local surgiu a grandiosa fazenda Jacobina, dedicando-se na administração da mesma e dividindo tempo com a povoação de Vila Maria – Cáceres, no leito da estrada para Vila Bela!!!

Passava o tempo nesta morna, pacata urbe das minas faiscantes e brotou desta feita uma joia de pessoa em 12 de dezembro 1916, era Luis-Philippe Pereira Leite. Seus pais João Pereira Leite e Jovita Valladares Pereira Leite eram pessoas simples ele era tip?grafo, moravam em uma casa na esquina da Barão de Melgaço com a travessa 12 de Outubro. Quanto ao nome esclareceu... "O meu nome, Luis-Philippe, era uma consideração de meu pai por Luis-Philippe Saldanha da Gama, almirante, que morreu numa revolução em 1893. Não tem nada a ver com o meu tio-avô Luiz Benedito ou com o Rei da França”. (PEREIRA LEITE. in SILVA, 1999, p. 54 e ss.)

Eu fui muito doentio e estava quase à morte quando, em 25 de fevereiro de 1917, Hermínia e eu fomos levados à pia batismal, cerimônia oficiada por um santo sacerdote franciscano francês, frei Carlos Valetti, um estudioso das plantas medicinais. Depois de nascido, José Venâncio ficava mais tempo deitado, para que minha mãe pudesse atender minha enfermidade, que consegui vencer depois dos seis anos, à força do leite de cabra.

As minhas professoras foram, Tereza Lobo no 1º. ano; no 2º. ano era para ser a professora Hercília Baraúna, mas em março de 1925 ela se casou com João da Costa Marques e foi embora para o Rio de Janeiro; no 3º. ano foi a professora Maria Luzia Pimenta, irmã do desembargador Palmiro Pimenta, e no 4º. ano foi novamente a professora Tereza Lobo."

Embarcou em 4 de julho de 1934, seguindo em companhia de Mário Motta e família, amigo de seu pai desde tempo da infância em Cáceres. Após a longa viagem, um combinado de embarcações e trens, chegou ao Rio de Janeiro a 12 de julho de 1934.

Prestou exames para a Academia Militar de Realengo em 1935, obtendo aprovação em todas as matérias, entretanto, foi reprovado nos exames físicos realizados na Escola de Educação Física do Exército, localizada no bairro da Urca. Desistindo da carreira militar, presta vestibular em 1936 para a Faculdade de Direito de Niterói, onde estuda e dedicou-se durante cinco anos. Visando ajudar nas despesas, com auxílio de Filinto Müller, então chefe de Polícia no Distrito Federal, ingressa no Ministério da Justiça, sem afetar a sua faculdade, recebia 350 mil réis / mês.

Estando Dom Aquino no Rio de Janeiro, Luis-Philippe que já era seu admirador, foi visitá-lo, decorrendo a sua apresentação aos célebres padres jesuítas do Colégio Santo Inácio. Este ambiente de profunda inspiração cristã, começa a operar mudança e Luiz-Philippe a 12 de setembro 1935, faz a 1ª comunhão no próprio Santo Inácio, foi crismado por D. Aquino Corrêa! Estendeu sua frequência do colégio jesuíta para o Instituto Católico de Estudos Superiores, esta uma organização cultural mantida pelos jesuítas, dominicanos, beneditinos e o Centro Dom Vital. Nestas entidades assistia seguidamente aulas e conferências, de acentuado conteúdo moral, religiosos e católicos, ministradas em francês por Alceu de Amoroso Lima, Hamilton Nogueira, e o Padre Sebastião Tauzin. O primeiro foi Conde Romano, pela Santa Sé e adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde, em 1965, sua obra foi considerada para receber o Nobel de Literatura. Neste período valendo-se do que aprendera nos ensinos particulares em Cuiabá, com o professor Jean Joseph Marie Quyl, realizou a tradução da obra "La Societé et L'État".

Neste momento consolida-se a figura do "Oráculo Cuiabano", expressão de muitas definições, na faceta religiosa reportando aos tempos da Grécia antiga, como a expressão de Deus através da elocução de seus profetas, ou ainda a pessoa cuja palavra representa muito peso, inspira plena confiança. Esta a imagem de Luis-Philippe, imparcial, filósofo, religioso, ético e moral.

Concomitantemente, despertava nele a sanha do historiador, participava no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, toda semana das aulas e conferências, onde complementa a formação e o espírito historiógrafo. Concluída a faculdade, gradua-se em bacharel de Ciências Jurídicas e Sociais a 17 de Dezembro de 1940. Permanece no Rio até março de 1941, e acompanha a instalação no Colégio Santo Inácio das faculdades de Direito e Filosofia da PUC.

Estava agora pronto e preparado, preferiu voltar para voltar para sua terra natal, chegando em 21 de março de 1941 realizando esta mente iluminada, A Prodigiosa Obra. Segue...



* UBIRATÃ NASCENTES ALVES - membro da AML - cadeira nº 1

ubirata100@gmail.com



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