Quinta feira, 23 de maio de 2019 Edição nº 14923 24/02/2018  










EDUARDO GOMESAnterior | Índice | Próxima

De edição

Nos velhos e bons tempos dos linotipistas, do chumbo derretido e da publicação em preto e branco com fotos em clichês havia calor humano nas redações e a relação entre os jornalistas de empresas concorrentes era a melhor possível; nas noitadas após o fim da jornada, profissionais compartilhavam mesas falando sobre quase tudo e quase todos, mas sem que abrissem mão do segredo sobre o furo que ganhava forma nas barulhentas impressoras.

O jornalismo mudou. As ferramentas digitais, as coletivas onde colegas trocam informações, o trabalho em casa, as agências de notícias e a pulverização das mídias sociais deu um quê diferente àquele que era chamado e considerado o quarto poder.

A mudança jogou por terra a exclusividade do conteúdo informativo e opinativo. É preciso um conjunto de fatores para se conseguir um material que não chegou às páginas dos sites ou nas redes sociais.

O jornal resiste, mas nem Deus sabe até quando. Aquele que parecia ser eterno meio abalizado de comunicação agoniza em meio a maior ou menor pressão que o empurra para o fim de um ciclo que antes não parecia existir. Não creio que essa situação nasceu somente da diversificação dos meios de comunicação com a chegada da internet. Acho que em boa parte seja resultado da voluntária perda da cidadania brasileira que é palpável pela indiferença quase coletiva na valorização do bom texto e na busca por futilidade em detrimento da informação de real interesse.

Em 2015, pela primeira vez, senti necessidade de deixar o jornalismo. Naquele ano, escrevi o livro “Dois dedos de prosa em silêncio – pra rir, refletir e arguir”. Na apresentação pontuei: “Dois dedos de prosa... nasceu do meu calejamento de Redação de onde vejo a metamorfose da Imprensa. O jornalismo toma rumo que pode aniquilar ou deixar próximo desse adjetivo a informação precisa. Jornal não compete com a internet, o que resulta na superficialidade: não interessa quem matou a Maria, onde, como, quando e por que o fez. Basta revelar que a coitada passou desta pra melhor. Sobre o livro, devore-o com os olhos, escute-o com o coração e interprete-o com a razão”.

Creio que na apresentação da obra disse tudo que sentia sobre a metamorfose no jornalismo. Não mudei o modo de pensar e desde então ganhou forma minha decisão de buscar outra profissão. Estou a um passo do adeus. Continuarei respeitando a Imprensa e não deixarei de pedir a Deus que lhe aponte o caminho de volta ao lugar que um dia lhe pertenceu, mas que foi abandonado em nome da mudança de conceitos. Estendo a mão aos colegas que ficam. Peço perdão aos leitores (internautas, também) por minhas falhas inerentes aos humanos e por meus defeitos e fraquezas. Manterei sempre a crença de que em algum lugar no futuro o homem haverá de se redimir buscando o verdadeiro jornalismo que lamentavelmente murcha a cada edição.



EDUARDO GOMES DE ANDRADE é jornalista

eduardo@diariodecuiaba.com.br



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