Quarta feira, 12 de dezembro de 2018 Edição nº 14923 24/02/2018  










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Floresta pode virar savana, alerta estudo

Transformação ocorrerá se bioma perder 20% de sua área para desmatamento; hoje, perda acumulada é de 17%

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Hoje, a área desmatada acumulada na Amazônia está em 17%
BRUNO CALIXTO
Especial para o DIÁRIO

Se a Amazônia perder mais de 20% de sua área para o desmatamento, ela pode se descaracterizar de tal forma que deixaria de ser uma floresta e se transformaria em área de savana, alerta um artigo publicado na última quarta-feira na revista científica “Science Advances”. Hoje, a área desmatada acumulada está em 17%.

O artigo é assinado por dois conceituados pesquisadores da área, o brasileiro Carlos Nobre, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) órgão que dividiu o Prêmio Nobel da Paz em 2007 com Al Gore, e o americano Thomas Lovejoy, da Universidade George Mason, famoso por cunhar o termo “biodiversidade”.

“Nós acreditamos que as sinergias negativas entre desmatamento, mudanças climáticas e uso indiscriminado de incêndios florestais indicam um tipping point, um ponto sem volta, para transformar as partes Sul, Leste e central da Amazônia em um ecossistema não florestal se o desmatamento chegar a entre 20% e 25%”, alertaram os cientistas no artigo.

Os pesquisadores partiram do conceito da “savanização” da Amazônia, que surgiu após a descoberta de que as florestas interferem no regime de chuvas. Na Amazônia, por exemplo, estima-se que metade das chuvas na região são resultado da umidade produzida pela evapotranspiração (a transpiração das árvores), que “recicla” as correntes de ar úmido provenientes do Oceano Atlântico.

Se perder uma quantidade grande de árvores, a floresta recicla menos chuva, ficando mais suscetível a incêndios. O fogo altera a vegetação, favorecendo o avanço de gramíneas onde antes havia espécies florestais. O resultado desse processo ecológico é que grandes fragmentos de florestas se transformam em savanas ou cerrados, descaracterizando a Amazônia como a conhecemos hoje.

NOVO CÁLCULO - A primeira estimativa de qual seria o tipping point para a Amazônia virar savana foi feita num estudo em 2007, e chegou à conclusão que esse valor era de 40% de florestas derrubadas. Só que esse estudo avaliou apenas uma variável, o desmatamento. Carlos Nobre diz que, quando coloca outros fatores em consideração, como os incêndios florestais e o aquecimento global, essa margem diminui consideravelmente.

“Os focos de incêndio têm aumentado. O aquecimento global já está acontecendo, com um aumento de 1 grau Celsius na temperatura média da Amazônia. Quando olhamos todos esses fatores juntos, o grande impacto acontece na floresta já com um desmatamento acumulado de 20% a 25%, não com os 40% que estimamos antes”, disse Nobre.

O cientista acredita que alguns fenômenos de temperatura registrados recentemente podem ser um indicativo de que o sistema esteja se desestabilizando. Nos últimos 12 anos, a Amazônia registrou eventos extremos em cinco anos diferentes: as secas de 2005, 2010 e 2015 e as enchentes de 2009 e 2012.

Segundo a bióloga Edenise Garcia, especialista em ciência e Amazônia na ONG The Nature Conservancy (TNC), que estuda o assunto, mas não tem relação com o artigo publicado ontem, a hipótese de savanização precisa ser encarada com seriedade: “A floresta amazônica tem resiliência, ela consegue resistir a algum desmatamento. Mas a sua capacidade de se recuperar não é infinita. Pode sim chegar a um ponto que não tem retorno”, disse.

Edenise defende que o governo implemente uma política de desmatamento zero na Amazônia, mas ressalta que isso não pode ser feito sem considerar a população da região: “A Amazônia não é um deserto populacional. É ocupada por gente. A solução é investir na melhoria das condições de produção do pequeno e grande produtor. Produzir mais no mesmo espaço, com sustentabilidade. Isso vai reduzir a pressão na floresta”.

O artigo da “Science Advances” também apresenta propostas para evitar chegar ao tipping point. Uma das ideias é o reflorestamento. O Brasil se comprometeu, na Conferência da ONU sobre Clima em Paris, em 2015, a reflorestar 12 milhões de hectares até 2030. Os autores sugerem que a maior parte desse reflorestamento precisa ser feito no Sul e Leste da Amazônia. Além disso, defende o desmatamento zero.

“O que estamos tentando apontar é que não devemos pagar para ver. Nós já estamos muito próximos do limite e deveríamos realmente zerar o desmatamento”, disse Carlos Nobre.



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