Quinta feira, 13 de dezembro de 2018 Edição nº 14922 23/02/2018  










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A era dos fakes

Parece que o planeta vive a era dos fakes: pessoas, notícias, fortunas, namorados, casamentos... esses três últimos acho até que sempre existiram. Entretanto, o que mais chama a atenção são as notícias falsas, na maioria das vezes de crimes e tragédias, replicadas irresponsavelmente por uma multidão de desocupados e criminosos em potencial.

Como há pessoas ociosas, com tempo para mostrar fotos, apontar locais e até nomes de supostas vítimas de atrocidades que, felizmente, não ocorreram. A "informação" de algo que teria ocorrido com 'uma amiga da prima da vizinha da minha tia' é replicada como verdadeira e assim vai se criando uma rede de mentiras.

Está semana, o fake sobre a "queda" de uma aeronave levou alguns jornalistas ao desespero em busca de informações. A ideia de dar o furo, divulgar primeiro, as vezes beira à insanidade entre alguns colegas em Mato Grosso e Brasil a fora.

Também vi circulando, e recebi pedido de ajuda para apurar, o suposto desaparecimento de uma criança que teria saído de casa para ir à escola e não retornou. Falava-se que o menino havia desaparecido há dias. Tudo fake.

Muitos colegas adotam práticas nada louváveis, que invertem o princípio do jornalismo: primeiro divulgar, depois desmentir, se não conseguirem confirmar. Isso ocorre especialmente quando há fotos atribuídas ao fato circulando nas redes sociais.

Não querendo justificar, mas com relação aos jornalistas ainda podemos dizer que buscar notícia é a função deles, porém sabemos que é ético prezar pela seriedade e respeito ao leitor.

Mas o que dizer dos cidadãos comuns, de todas as idades, jovens, adultos e idosos? Penso que tem muita gente sem noção e desconhecimento sobre como empregar os recursos tecnológicos a serviço do bem comum.

Penso que basta um pouco de discernimento para saber que não devemos replicar todas as porcarias que recebemos pelo whatsapp. E mais, nós temos a capacidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza.

Outro dia recebi um pedido de amizade no facebook de um cara que se dizia morador de Abu Dabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos. A foto de um homem estilo ator de hollywood pilotando um navio chamava a atenção. Pensei: além de não ter interesse, o que justificaria a amizade virtual com alguém daquelas bandas, alguém que não fala a minha língua e vive onde nem nos meus planos mais remotos conheceria. É golpe, claro. E a foto, fake! Recusei, porém antes vi que no meu rol de amigos virtuais três já haviam aceito o convite do sujeito.



ALECY ALVES é repórter



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