Segunda feira, 20 de maio de 2019 Edição nº 14920 21/02/2018  










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Presidente da Assembleia admite que errou

Eduardo Botelho disse que demorou para sair da empresa e negou ser líder de esquema criminoso

AL
Deputado Eduardo Botelho, ontem durante coletiva com a imprensa na Assembleia Legislativa
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

Ontem, durante coletiva com a imprensa, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (PSB), admitiu que errou ao não deixar de ser sócio da Santos Treinamento e Capacitação Ltda. desde o momento em que suspeitou que a empresa participava de um esquema de propina no Detran.

O esquema foi desbaratado na Operação Bereré, deflagrada pelo Gaeco na segunda-feira (19). A residência de Botelho e a presidência do Legislativo foram alvos de mandados de busca e apreensão. Ele foi sócio da empresa entre 2010 a 2013

“O contrato da empresa, pelo que entendi e sabia, não tinha nada de ilegal. Era uma prestação de serviço que vinha sendo feita no Brasil inteiro e vários Estados faziam. Nós entramos como investidores. E não tinha nada de ilegal. Começou a ter algo de ilegal com a entrada do ex-governador Silval Barbosa, em 2011. Houve uma pressão muito grande e parte da empresa foi passada para um representante do Silval”, disse Botelho.

A entrada de Silval no negócio, segundo Botelho, aconteceu quando

30% da empresa foi repassada ao empresário Rafael Yamada Torres, filho de Wanderley Torres, da Trimec Construções, ligado ao ex-governador.

“Eu comecei a sentir mal com isso. E, no final de 2011, comecei a discutir a minha saída da empresa, que veio a ocorrer no final de julho. Eu não me sentia bem, sabia que estava errado. Acabei saindo. Infelizmente, demorei para sair. Tinha que ter saído naquele momento. Foi um erro que cometi na minha vida. Reconheço esse erro que vem me atormentando até hoje”, desabafou.

“Quando passamos os 30% da sociedade para o filho do Wanderley, era propina. Aí sim, era propina. Aí foi o meu erro. Eu tinha que ter saído naquele momento. Ainda relutei e demorei para sair”, acrescentou.

Botelho também afirmou que o fato de ter sido sócio da Santos Treinamento é um fato que “mancha” sua biografia empresarial.

“Sou empresário há 30 anos. Fiquei menos de dois anos nessa empresa. Foi uma mancha. Quando entrou esse pessoal [da Trimec], deveria ter saído naquele momento. Eu demorei para sair e isso está me trazendo todo tido de transtorno. Eu, meus familiares e as pessoas que acreditam em mim estão sofrendo”, disse.

Botelho classificou como “infundada” a acusação do Ministério Público Estadual (MPE) de que ele seria um dos líderes do “esquema criminoso”. Ele citou, por exemplo, que o ex-presidente do Detran-MT, Teodoro Moreira Lopes, o “Doia”, que delatou o esquema, jamais o citou em qualquer tratativa criminosa.

“A acusação de liderar esquema é totalmente infundada. Tanto que você vê a delação do Dóia, ele fala em várias reuniões e nenhuma ele me cita. Eu nunca participei de reunião com Dóia, de conversa com Silval, nunca participei de reunião nenhuma”, afirmou.

Não posso ser acusado de ser líder de uma coisa que não fui. Se o Dóia falar a verdade, vai dizer que nunca tratou desse assunto com o Botelho”.

O presidente da Assembleia também negou ter usado pessoas de sua convivência para lavar dinheiro fruto de propina.

Nos pedidos de prisão feitos pelo MPE, é listada uma série de cheques de Botelho que foram repassados a terceiros, entre eles o secretário da Assembleia Legislativa, Elias Santos, o ex-prefeito de Poconé, Euclides Santos, entre outros.

“Não tinha sentido eu dar cheque para alguém para a pessoa ir lá sacar e dar para mim mesmo. O dinheiro estava na minha conta, declarado no Imposto de Renda. Isso não tem sentido”, afirmou.

“Ficou parecendo que todas as pessoas que receberam um cheque meu, lavaram dinheiro para mim. Isso não tem o mínimo sentido. É totalmente descabido. Colocaram o ex-prefeito Euclides Santos, por exemplo. Todo mundo sabe que ele vive em uma pindaíba. Eu dei dinheiro para ele. Eu fiz isso com várias pessoas. Quem trabalhou como na Cemat sabe que eu faço isso. Então, isso não tem anda a ver com lavagem de dinheiro”, disse.

O presidente afirmou que lamenta o fato de essas pessoas estarem sendo expostas.

Botelho afirmou também que não houve “pirotecnia” na ação do Gaeco, mas criticou o fato de os mandados de busca terem sido cumpridos na presidência da Assembleia.

“Não vejo assim [pirotecnia ou ação política]. A operação, ok. Se tem dúvida, que faça a investigação. Mas, eu saí da empresa em 2012. Achar que vai vir na presidência e achar um documento lá de 2012. Vou trazer e colocar aqui na Assembleia. É muita história vir aqui na presidência. De resto, se está em dúvida, vai lá e faz a busca”, concluiu.



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