Sábado, 20 de outubro de 2018 Edição nº 14916 15/02/2018  










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Roteiro de 'Pantera Negra' agradará críticos

THALES DE MENEZES
Da Folhapress – São Paulo

Duas coisas precisam ser ditas sobre "Pantera Negra". Primeira: é um dos melhores filmes de heróis da Marvel, mesmo que às vezes não pareça ser um filme da Marvel.

Segunda: tem um enredo complexo e interessante, com várias narrativas entrelaçadas, o que deve agradar a muitos, mas também pode ser defeito para uma parcela dos fãs.

Agora, a tentativa de explicar essas ideias.

Pantera Negra, o personagem, não é do primeiro escalão da Marvel. Qualquer fã de quadrinhos pode elencar duas dezenas de heróis mais importantes nos gibis da editora: Thor, Hulk, Capitão América, Wolverine, Demolidor, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e tantos outros.

Tudo leva a crer que o Pantera Negra terá atuação extensa no próximo filme dos Vingadores, que sai em maio, mas, até agora, sua participação estava resumida a uma ponta em "Capitão América: Guerra Civil" (2016).

Antes desse longa próprio, contudo, não era reconhecido pelo grande público. Mesmo para o adepto de gibis, a versão do cinema, exageradamente "high tech", parece um pouco estranha.

Então, ao acompanhar o enredo de "Pantera Negra", fica um tanto distante a associação do personagem aos Vingadores e outros heróis. O espectador simplesmente esquece do resto do universo Marvel.

O foco da ação é Wakanda, o fictício país africano que era governado pelo pai de T'Challa, assassinado em "Capitão América: Guerra Civil".

O confronto do herdeiro, que é o herói Pantera Negra, com gente disposta a não vê-lo no trono é o mote da aventura, entrecortada por batalhas espetaculares no país tecnologicamente mais desenvolvido da Terra.

São várias facções políticas em Wakanda. As tramas pelo poder têm ecos de peças de Shakespeare. T'Challa, interpretado com energia por Chadwick Boseman, enfrenta opositores declarados, inimigos dissimulados e suas próprias incertezas.

Esse roteiro intrincado vai agradar justamente àqueles que reclamam da pouca densidade das histórias dos filmes de super-heróis.

Os fãs de carteirinha, porém, podem torcer o nariz para o excesso de falação em "Pantera Negra". Menos conversa e mais ação poderiam agradasse mais aos consumidores de gibis.

LUTA DAS MULHERES

Com personagens fortes, o filme capricha no elenco predominantemente negro.

Além de Boseman, nomes famosos incluem Angela Bassett, Michael B. Jordan (de "Creed"), Danai Gurira ("The Walking Dead") e os ganhadores de Oscar Forest Whitaker e Lupita Nyong'o. Atores brancos? Dois: Andy Serkis, como um dos inimigos do herói, e Martin Freeman, no papel de um agente da CIA.

Além da relevância óbvia para a comunidade negra de Hollywood, neste que é o primeiro filme blockbuster de super-herói protagonizado por afro-americanos e dirigido por um, Ryan Coogler, o filme também agrada às mulheres em sua luta interminável por trabalhos mais impactantes no cinema.

Há várias mulheres poderosas em "Pantera Negra", como a espiã Nakia (Lupita), a rainha-mãe Ramonda (Angela Bassett) e a irmã de T'Challa, Shuri (papel da ótima Letitia Wright), uma adolescente que domina toda a tecnologia de ponta em Wakanda. A menina vem para incorporar o time de gênios inventores da Marvel, com Tony Stark (Homem de Ferro) e Bruce Banner (Hulk).

Algumas vezes arrastado, outro tanto de vezes eletrizante, "Pantera Negra" é um sucesso evidente da Marvel -que conseguiu nos últimos anos produzir filmes muito bons com heróis de segundo time, como Homem-Formiga, Guardiões da Galáxia e Dr. Estranho. Que venha o novo dos Vingadores.



PANTERA NEGRA (BLACK PANTHER)

DIREÇÃO Ryan Coogler

ELENCO Chadwick Boseman, Letitia Wright, Michael B. Jordan

PRODUÇÃO EUA, 2018, 14 anos

QUANDO estreia nesta quinta (15)

AVALIAÇÃO muito bom



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