Sábado, 20 de outubro de 2018 Edição nº 14916 15/02/2018  










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Tiroteio deixa cinco feridos em UPA

Após tiroteio que colocou em risco a vida de pacientes, a UPA foi interditada e só retomou os atendimentos aos pacientes do SUS ontem, às 7 horas

DINALTE MIRANDA/DC
A unidade de pronto atendimento (UPA) do Morada do Ouro, só voltou atender ontem e com reforço policial
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

A unidade de pronto atendimento (UPA) do Morada do Ouro, localizada na região norte de Cuiabá, amanheceu de portas fechadas ontem (14). O fechamento temporário da unidade, que presta assistência em casos de urgência, ocorreu no fim da tarde da última terça-feira de carnaval, após ter sido invadida por homens armados com fuzis, que estiveram no local para resgatar um preso levado para passar por atendimento médico. Houve tiroteio que deixou cinco pessoas feridas e causou pânico entre os pacientes e os servidores da unidade de saúde.

Segundo relatos de funcionários que presenciaram o ocorrido, três homens já entraram na UPA atirando. Nisso, uma mulher foi feita refém e os criminosos foram em direção ao leito, onde estaria José Edmilson Bezerra Filho, 31 anos, preso por homicídio, tentativa de homicídio e tráfico de drogas cometidos na cidade de Rondonópolis (220 quilômetros, ao sul de Cuiabá), no Centro de Ressocialização da capital (CRC). Há suspeita de que a tentativa de resgate tenha sido planejada.

Porém, os criminosos se depararam com três agentes penitenciários, que faziam a escolta do detido, reagiram e houve troca de tiros. Nisso, cinco pessoas foram baleadas, sendo elas, o agente prisional Dirley Pinho Pedro, 34 anos, Vitor Hugo, 6 meses, e a mãe da criança, Estefani Camargo dos Santos, 21 anos, a paciente Dayana da Silva Romão, 33, e a enfermeira Rosimeire de Souza, 51 anos, que foi atingida por um disparo na perna direita e foi liberada após passar por assistência médica.

Todos foram encaminhados para o Hospital e Pronto Socorro Municipal (HPSM), no Centro, onde receberam atendimento. O bebê, que estava na UPA por conta de uma pneumonia, foi atingido por um tiro no tórax e em uma das mãos. Até ontem pela manhã, seu estado de saúde era considerado grave e ele se encontrava na unidade de terapia intensiva (UTI) do PS. A mãe dele foi atingida de raspão no ombro e também já havia sido liberada.

Dayana da Silva foi atingida no tórax e estava em estado grave. Ela passou por uma cirurgia para dreno pulmonar e continuava internada na UTI. Já o agente foi baleado na coxa e passou por avaliação de ortopedistas, que constataram que não houve trauma ósseo. Ele seria liberado ontem.

Já o detento José Edmilson não foi resgatado e foi reconduzido para o CRC. Os bandidos fugiram e até o fim da manhã de ontem ainda não tinham sido presos. Eles estariam num carro popular, cuja placa já teria sido identificada pela polícia.

Após a invasão, a unidade foi interditada e reabriu pela manhã, a partir das 7 horas. Excepcionalmente, o local contava com o policiamento de quatro policiais militares. Normalmente, a segurança na UPA é feita por dois vigias contratados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e, às 17 horas, dois militares passam a fazer o policiamento por meio do programa Jornada Voluntária.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que determinou reforço das Polícias Militar (PM) e Civil (PC) para tentar prender os criminosos que tentaram o resgate do preso. Também destacou uma equipe da PM para acompanhar a situação dos feridos na unidade.

No local, foram apreendidas cápsulas de pistola 9 milímetros, 380 e .40. As marcas de tiros ficaram pelas paredes, porta e janelas. As cápsulas recolhidas foram encaminhadas à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que também esteve no local realizando a coleta de vestígios para auxiliar nas investigações da Polícia Civil.

José Edmilson é apontado como importante membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa de origem paulista com atuação também em Mato Grosso. Ele também já esteve preso na Penitenciária da Mata Grande, que fica em Rondonópolis (220 quilômetros, ao sul de Cuiabá), de onde foi transferido. Na capital, o detento teria migrado para o Comando Vermelho, uma vez que a ala onde ele estava é considerada de risco para membros do PCC.

RESGATE PLANEJADO – Existe a suspeita por parte das autoridades púbicas de que a tentativa de resgate tenha sido planejada. A hipótese é levantada devido ao fato de que nem mesmo os profissionais da saúde para onde o detento é levado são comunicados previamente sobre a condução do preso para a unidade de assistência médica. Portanto, suspeita-se que o detento José Edmilson Bezerra Filho fingiu ter passado mal e que os criminosos tinham informações privilegiadas, uma vez que presos conseguem manter contato com pessoas de fora do presídio devido a falta de bloqueadores de sinal de celulares nas penitenciárias do Estado.

A assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou, que por meio do protocolo de atendimento do preso, constatou-se que ele foi levado até a UPA após reclamar de fortes dores abdominais. Na UPA, ele chegou a ser atendido, mas logo depois começaram os tiroteios. Por isso, até o fim da manhã de ontem, não informações sobre o real quadro do preso, o que a SMS estava apurando junto com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

A Sejudh informou que as unidades prisionais não têm plantão de equipe médica em finais de semana e feriados. Desta forma, se um preso está com problemas de saúde é levado imediatamente para uma unidade de saúde para avaliação do quadro.

No caso específico do preso José Edmilson Bezerra Filho, o mesmo estava passando mal e alegou fortes dores, solicitando atendimento médico. Como não há plantão de saúde na unidade, deve-se levar para a assistência médica externa, conforme previsto no artigo 14, inciso 2, da Lei de Execuções Penais. “As saídas dos presos são autorizadas pela direção da unidade prisional. Na ausência do diretor ou diretor adjunto, a autorização é feita pelo chefe de equipe no momento do plantão”, destacou.

Conforme a Sejudh, o transporte e a escolta de presos são feitos em veículo especial, ou seja, viatura do sistema penitenciário, bem como a condução do preso e sua escolta e segurança é realizada por agentes penitenciários devidamente treinados e capacitados para o uso de arma de fogo.



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· A SESP tem que prender esses BANDIDOS i  - Pessoa do Povo
· Onde estão os bloqueadores de celulares   - mario marcio da costa e silva




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