Sábado, 23 de fevereiro de 2019 Edição nº 14913 08/02/2018  










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Confusão na primeira audiência da CPI

RAFAEL COSTA
Da Reportagem

Terminou em bate boca e confusão a primeira audiência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) conduzida pela Câmara Municipal de Cuiabá para investigar a suspeita de que o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), tenha recebido propina do ex-governador Silval Barbosa enquanto exerceu o mandato de deputado estadual.

Estava programado para a manhã de ontem o depoimento de Valdecir Cardoso de Almeida, apontado como o responsável pela instalação de uma câmera escondida na sala do ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio César Correa de Araújo, transferindo quantias de dinheiro a deputados.

No entanto, um ofício protocolado no gabinete do vereador Adevair Cabral (PSDB), com data de 29 de janeiro, comunicava pedido de adiamento da oitiva para depois do dia 20 de fevereiro. Valdecir alegou que não poderia comparecer por conta de uma viagem em família neste período.

A partir disso, foi requerida a destituição do vereador Adevair Cabral da CPI por obstrução a Justiça. Aos berros, o vereador Dilemário Alencar (PROS) apontou um documento no qual o vereador Adevair Cabral tinha conhecimento prévio da ausência de Valdecir Cardoso.

O pedido de afastamento do vereador Adevair Cabral (PSDB) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suposta quebra de decoro pelo prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) e a falta da testemunha, sem justificativa, nesta quarta-feira (07), na Câmara de Cuiabá, marcaram o encontro de parlamentares que esperavam ter a primeira oitiva do caso.

“Eu tentei entrar em contato com o presidente da CPI [Marcelo Bussiki (PSB)] e com o presidente da Casa [Justino Malheiros (PV)] logo que fui comunicado desse ofício pela minha assessora. Eu não estava na Casa e mandei cópia via Whatsapp”, alegou Adevair.

Em seguida, o tucano foi repreendido pelo presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki (PSB). “O relator não tem autorização para receber documentos e correspondência em nome do presidente da comissão e aplicativos de mensagens não são meios legais para estes tipos de comunicados", disse.

Bussiki alegou que iria entrar na Justiça com pedido de condução coercitiva de Valdecir Cardoso. No entanto, a condução coercitiva está suspensa no país em razão de uma liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Neste imbróglio, o vereador Felipe Wellaton (PV) acusou Adevair Cabral de obstrução da Justiça e requereu a destituição do tucano da CPI. O discurso foi acompanhado pelo vereador Gilberto Figueiredo (PSB), que pediu que as condutas, tanto da secretária que recebeu o ofício, quanto do vereador tucano sejam apuradas.

Dilemário Alencar (Pros) também requereu que Valdecir encaminhe cópias dos comprovantes da suposta viagem e que a funcionária de Adevair seja convocada pela CPI a prestar esclarecimentos a respeito da pessoa que entregou o ofício, uma vez não ter sido a própria testemunha.

Neste momento, Adevair acusou Dilemário de usar a comissão para fazer palanque e os dois iniciaram um bate-boca, com direito a dedo na cara e xingamentos. Bussiki precisou mandar que os áudios dos microfones dos vereadores fossem cortados.



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