Quarta feira, 24 de abril de 2019 Edição nº 14913 08/02/2018  










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Filme sobre Clara Nunes revela decadência de nossa música

ANDRÉ BARCINSKI
Da Folhapress

O canal Curta! está exibindo "Clara Estrela", sobre a cantora Clara Nunes (1942-1983).

Dirigido por Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir, o filme tem uma narrativa ousada e interessante, que se destaca da maioria dos documentários que vemos por aí: é todo narrado em primeira pessoa, seja por entrevistas de Clara ou por declarações da cantora na voz da atriz Dira Paes.

O filme consegue contar de forma didática sua breve carreira sem apelar ao simplismo. Não há opiniões de "especialistas" tentando explicar a importância da cantora. As entrevistas bastam para dar ao espectador uma boa ideia de suas influências, seus objetivos artísticos e seu talento.

Sobre o começo da carreira, quando foi vendida como cantora romântica, Clara diz: "Achavam que eu poderia ser um Altemar Dutra de saias. Por despreparo e falta de orientação, gravei muita coisa que não queria dizer nada."

Que artista, hoje, teria a coragem de fazer uma avaliação tão ácida e objetiva sobre a própria carreira?

Fica evidente a decadência abissal de nossa cultura musical nas últimas décadas.

Clara fala do trabalho com produtores como Adelzon Alves e compositores como Vinicius de Moraes ("Vinicius foi o primeiro artista do chamado primeiro time da MPB a reconhecer meu valor") e da força que recebeu, no início, da grande Angela Maria.

As entrevistas são infinitamente mais ricas e interessantes do que o desfile de fofocas e pseudocelebridades que vemos hoje.

Imagine um artista do primeiro escalão da música brasileira dando, hoje, uma declaração como essa:

"Meu estouro mesmo se deu com o samba 'Conto de Areia'. Minha grande vitória foi ter aberto campo para outras cantoras e para o samba. Porque mulher não vendia disco no país. Existia um preconceito de que quem comprava disco era mulher, e mulher não vai comprar disco de outra mulher. Mas em 74 eu lancei o disco 'Alvorecer', com a faixa 'Conto de Areia', e vendi 400 mil cópias".

Sua morte estúpida, em 2 de abril de 1983, aos 40 anos, após sofrer um choque anafilático durante uma operação de varizes e ficar em coma por quase um mês, privou o país de uma de suas maiores cantoras e de uma das grandes defensoras do samba e da cultura afro-brasileira.



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