Terça feira, 25 de junho de 2019 Edição nº 14913 08/02/2018  










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Phil Collins de malas prontas para o Brasil

Lenda do rock e das mais melosas baladas de rádio, integrante do Genesis abandona o pijama e faz show no Maracanã

Da Folhapress – Rio

Com Phil Collins, nada acaba de verdade: tem sempre uma noite a mais ou um outro dia no paraíso. Daí a suspeita de que a aposentadoria, anunciada em 2011, para passar mais tempo ao lado dos filhos pequenos Matthew e Nicholas, não correria o risco de ser definitiva. Problemas de saúde (perda de audição, dores na coluna que o impedem de tocar bateria e o alcoolismo, no qual mergulhou no período de inatividade) chegaram a ameaçar a volta. Mas ano passado, o cantor iniciou na Europa a turnê “Not dead yet” (título da autobiografia), que agora chega ao Brasil — serão os primeiros shows da carreira solo que o integrante do Genesis fará no país.

A excursão de Phil com seus (muitos) hits começa dia 22 no Maracanã, segue para São Paulo (dias 24 e 25, no Allianz Parque) e termina em Porto Alegre (dia 27, no Beira Rio). “Ainda vivo” — tradução livre do nome da turnê — é talvez a expressão que melhor dê conta de descrever o espírito do músico neste momento, aos 67 anos de idade, quase 50 deles sacudindo nos muitos buracos da estrada do rock.

“ Bem, eu não toco bateria e fico sentado durante todo o show. Quando ando, é com bengala. Sinto uma série de dores, mas a minha voz está melhor do que nunca. Até agora, o público não tem notado minhas dificuldades físicas. Ao menos, não tem reclamado delas. O que tenho visto é as pessoas se emocionando nos shows, o que me emociona muito também” relata Phil Collins.

Phil tem mostrado, em suas palavras, “músicas que tenho que tocar porque o público quer ouvir e outras que eu quero tocar”. No primeiro caso, estão “Against all odds (take a look at me now)”, “One more night”, “Another day in paradise”, “In the air tonight” e até algumas do Genesis, como “Follow you follow me” e “Invisible touch”. No outro caso, coisas como “Can’t turn back the years” (de “Both sides”, seu álbum de 1993) e “Wake up call” (de “Testify”, 2002).

“Será um show longo, com todos os grandes hits. Na Europa, costumava fazer dois sets menores, com intervalo, no total de duas horas, mas no Rio será um show só”, avisa ele, lembrando que a abertura dos shows será dos Pretenders, grupo da amiga Chrissie Hynde. “Na Europa, tivemos o Blondie abrindo os shows. Acho sempre bom ter algo diferente para oferecer à plateia, algo que também vá diverti-la”, disse.

Se em 1977, Phil Collins tocou com o Genesis no Maracanãzinho, agora, solo, ele chega ao Maracanã. O que, diz, será “muito especial”.

“Meu filho mais novo, Matthew, gosta muito de futebol e sabe jogar bem. Será maravilhoso apresentá-lo ao estádio”, festeja. “Sempre quis voltar à América do Sul. Você sabe, tocamos aí com o Genesis. E, nos anos 1990, percorri parte dela com meu show solo (em 1995 a turnê do disco “Both sides” passou por Chile, Argentina, Peru e Venezuela), mas não cheguei ao Brasil. Mas eu achava que as pessoas aí ainda tinham que ter a chance de ouvir essas músicas comigo”, relatou.

Nicholas, irmão de Matthew, também vem ao Brasil — mas como baterista do show. Aos 16 anos, ele faz parte de uma banda que tem veteranos como Leland Sklar, baixista de 70 anos. Ao atentar para a gritante diferença de idade dos músicos, Phil Collins dá a primeira gargalhada da entrevista (“Eu fico ali, entre os dois. Um bom músico é um bom músico, isso que importa”).

“Nicholas é um baterista fantástico, ele tem muita energia. E ainda toca um pouco de piano. É uma alegria muito grande para um pai ver o filho na bateria. Sempre foi algo natural. Dei uma bateria para o meu filho mais velho, Simon, e não forcei nada. Ele virou um grande baterista. Fiz a mesma coisa com o Nicholas quando ele tinha dois anos. E com o Matthew também, mas ele preferiu jogar futebol”, conta Phill.

Num dos shows que Collins fez pela Europa, quem apareceu foi o tecladista do Genesis, Tony Banks. Ele saiu de lá animado com uma possível volta da banda aos palcos. “Seria bom tentar. Mas Phil tem que sobreviver à sua turnê primeiro, depois vemos o que acontece”, disse ele, em entrevista à rádio 91.9 WFPK, de Louisville.

“ Surpreendentemente, Tony foi falar comigo depois do show, e não antes. Foi muito carinhoso por parte dele. Não existe nenhum impedimento emocional para a volta do Genesis. Mas se vai ser possível ou não, ainda temos que ver. De qualquer forma, terá que ser com Nicholas na bateria. Quando sugeri que Nicholas tocasse, eu tinha que garantir que ele funcionasse perfeitamente, e foi o que aconteceu. Ele é muito focado, quer absorver tudo que puder. E você tem que lembrar que durante 30 anos nós tocamos com um músico do nível de Chester Thompson (baterista do Genesis entre 1977 e 2007, e da carreira solo de Phil)”.

APOSENTADORIA - Uma semana antes desta entrevista, Elton John anunciou sua aposentadoria, dizendo que ia tocar por mais três anos e depois ir para casa cuidar dos filhos pequenos. Perguntado se acreditava que o amigo ia fazer o mesmo que ele — mudar de ideia e voltar à estrada —, Phil Collins deu a segunda gargalhada da conversa: “Elton John faz shows quase todos os dias, é um maníaco, não sei se tem uma vida fora da música. Os filhos parecem lhe ter dado alguma razão a mais para viver. Essa decisão dele de se aposentar soa muito verdadeira para mim, torço para que ele seja muito feliz. Chega um ponto da vida em que você não sabe mais se vai ter tempo para fazer as coisas que quer fazer. Eu parei pelas mesmas razões que ele, só que algumas coisas mudaram no meio do caminho”.

E assim Phil Collins segue o seu caminho, entre adoradores de sua obra (Pharrell, Lorde, Kanye West e Beyoncé entre os mais famosos), detratores e um pessoal que faz graça, como o do filme “Sing Street: música e sonho” (2016), passado nos anos 1980, que anda ficando célebre por causa de um personagem que diz: “Você não pode amar verdadeiramente um homem que gosta de Phil Collins”.

“Que filme é esse?”, pergunta Phil, um tanto indignado. “Bem, eu não ligo mais para o que dizem. Se você ouve uma música como “Another day in paradise”, você vai ter uma opinião sobre mim. Se for “Sussudio”, a opinião será diferente. Sou um alvo fácil, sei disso. O que posso fazer? Só pedir que as pessoas vão ao meu show para tirarem suas próprias conclusões”, concluiu.



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