Quinta feira, 18 de outubro de 2018 Edição nº 14892 10/01/2018  










CAIUBI KUHNAnterior | Índice | Próxima

Geração dos anos 90

O Brasil passa atualmente por uma inversão da pirâmide etária, essa mudança é proporcionada devido a redução da taxa de natalidade e significa o começo de um processo de envelhecimento da população. A geração que marca o início dessa inversão é chamada de geração do bônus demográfico, e esse bônus traz com ele desafios e oportunidades incríveis para o país.

A geração do bônus demográfico no Brasil é a minha geração (nasceu nos anos 90). Fomos a maior geração de crianças, somos a maior geração de jovens, e seremos também a maior geração de idosos do Brasil. Durante o período que essa geração estiver em idade produtiva ativa, o país terá uma força de trabalho incrível, agora isso pode ser um ponto muito positivo ou um grande problema social.

A geração do bônus demográfico precisava ter tido acesso a uma educação de qualidade e universal, mas não tivemos. Infelizmente no nosso país ainda existe analfabetismo infantil e muitos jovens nem se quer chegaram a terminar o ensino médio. Também não temos acesso a credito a baixo custo, já que por aqui as taxas de juros são altíssimas, fato que dificulta o empreendedorismo e outras coisas fundamentais como acesso a moradia própria.

Com o termino do ano de 2017 todas as crianças da década de 90 estão agora com idade entre 18 e 27 anos, ou seja, estamos todos chegando ou já estamos no mercado de trabalho. Além do cenário de crise econômica, um outro desafio do Brasil é o chamado desemprego estrutural que é quando se tem uma vaga de emprego, mas não se tem a pessoa qualificada para o posto, essa situação afeta tanto o empreendedor que não consegue contratar, como o cidadão que não consegue emprego por ainda não possuir a qualificação adequada, e por fim, afeta o estado que precisa dar resposta ao problema social gerado em partes por ele mesmo.

Para mudar esse quadro é preciso investir em educação e em qualificação profissional, é preciso também possibilitar acesso ao credito de baixo custo para o cidadão comum, precisamos fortalecer as políticas de estado de controle de natalidade, e é lógico, nossa juventude precisa ter cada vez mais voz.

A situação atual dos jovens do Brasil é resultado de governos que pouco fizeram para proporcionar as condições de desenvolvimento necessário para a geração do bônus demográfico e para o país. Poderíamos ter feito como outros países que investiram fortemente na educação e na qualificação dos jovens e com isso tiveram resultados fantásticos. O cenário atual demonstra que a educação não foi prioridade para nenhum governo nas últimas décadas, existiram os que investiram um pouco mais e outros um pouco menos, houveram avanços, mas nenhum dos governos que passaram fizeram a verdadeira transformação na educação que este país precisa. Perdemos muitas oportunidades, mas quantas mais nosso país irá jogar fora?



* CAIUBI KUHN, geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); conselheiro-titular do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA)

caiubigeologia@hotmail.com



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