Quarta feira, 12 de dezembro de 2018 Edição nº 14844 21/10/2017  










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Hortêncio, um exemplo de professor

Professor da rede estadual prega fé e diálogo como caminho à restauração da família

DINALTE MIRANDA/DC
Professor Hortêncio com seus alunos na escola da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae): religião, fé e amor
ALECY ALVES
Da Reportagem

Enquanto em nível nacional está em discussão se as escolas públicas devem ou não ofertar obrigatoriamente o ensino religioso, em Cuiabá um professor que há mais de 30 anos lida com crianças e adolescentes defende a religião, a fé e o amor em Deus, como caminho à educação, ao fortalecimento e até mesmo à restauração de laços familiares.

Hortêncio Viana Noya Neto, 62, é professor da rede estadual na escola da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cuiabá e também exerce o magistério na Escola Salesiana São Gonçalo, instituição de ensino da igreja católica.

Formado em Educação Física e Pedagogia, na prática cotidiana Hortêncio tornou-se uma espécie de especialista em aconselhamento espiritual. Nos intervalos das aulas, nos finais de semana ou a qualquer hora e dia pode ser encontrado na igreja Nossa Senhora Auxiliadora, anexa ao Colégio São Gonçalo, ouvindo jovens e adultos.

Ele orienta diversos grupos de oração, inclusive reza o terço com meninas e meninos. Parece que recorrer aos conselhos dele é algo natural entre grande parte dos estudantes.

“Ouço mais do que falo”, pontua, destacando que as pessoas estão precisando ser ouvidas. Essa necessidade, diz Hortêncio, está mais evidente entre os adolescentes e jovens adultos.

O professor lembra que na era digital as pessoas estão se comunicando mais, porém virtualmente e com menor qualidade. Os pais não têm ou não dedicam tempo ao diálogo com os filhos. Muitas crianças estão sendo “educacadas” via computador, tablet, celular. Os aparelhos eletrônicos chegam às mãos delas cada dia mais cedo.

Enquanto concedia essa entrevista, na igreja Nossa Senhora Auxiliadora, o professor foi acionado por duas adolescentes que traziam um amigo aflito, necessitando ser ouvido e orientado. A segunda interrupção ocorreu para que recebesse uma caderneta de homenagem pelo Dia dos Professores, com dezenas de assinaturas e frases de agradecimento.

Casado, três filhos e cinco netos, o professor Hortêncio diz que aprendeu e continua apreendendo muitos com os alunos, em especial com os deficientes. Desde 1974, ainda no primeiro ano da faculdade de Educação Física, conta, trabalha como crianças e jovens excepcionais na Apae de Presidente Prudente, São Paulo.

“Apreendo muito mais do que ensino”, diz, em tom de agradecimento. Na avaliação do professor, ninguém consegue expressar amor, dar e receber carinho, com mais naturalidade que as pessoas que a sociedade convencionou como deficientes.

“Todos nós deveríamos aprender com eles’, assinala. Na rotina de trabalho o professor incluiu a interação, os encontros dos alunos da Escola São Gonçalo, crianças e jovens das classes média e alta, com os estudantes da Apae. Ele acha essas experiências ricas e necessárias à ambas a partes.

Hortêncio, mesmo trabalhando com os salesianos, não defende uma religião especifica, mas a fé, fé em algo ou um Deus para que possam tornar pessoas melhores, melhores consigo mesma e com o próximo. “Não é preciso ser católicas”, enfatiza.

Ele diz que é procurado por adolescentes e adultos de todas as crenças, e até mesmo por quem não tem religião. “Posso lhe dizer que sou uma pessoa realizada, feliz sendo professor”, conclui.



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· Quero parabenizar Professor Hortênc  - Hélio Augusto Gomes




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