Sábado, 18 de novembro de 2017 Edição nº 14842 19/10/2017  










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Cabo Gerson acusa juíza e promotor

Segundo policial, o Gaeco e a juíza Selma Arruda inventaram uma "estória cobertura" para realizar interceptações telefônicas

DINALTE MIRANDA/DC
Juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá
PABLO RODRIGO
Da Reportagem

Em um dos trechos do depoimento do cabo da PM, Gerson Luiz Correia Junior, ele afirma que o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), sob o comando do então promotor de Justiça Marco Aurélio Castro, teria inventado uma "estória cobertura" para realizar interceptações telefônicas em uma investigação contra o ex-governador Sival Barbosa (PMDB) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), José Geraldo Riva.

Para "validar" os grampos ilegais, foi criada, segundo Gerson, uma trama de atentado contra a vida da juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda.

"Revelação de uma irregularidade ocorrida em investigação promovida pelo GAECO/MT com anuência do então coordenador, promotor de Justiça Marco Aurélio Castro, quando este determinou ao interrogado Gerson Correa, que criasse uma estória cobertura para dar início a uma interceptação de pessoas suspeitas de tramarem a morte da Drª Selma Arruda, juíza de Direito Titular da 7ª Vara Criminal desta Comarca", diz trecho do depoimento do Cabo afirmou em seu depoimento prestado aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Henrique Stringueta.

Ainda de acordo Gerson, a magistrada participou do repasse das informações para a estória da cobertura.

"Segundo o interrogado Gerson Correa, a Drª Selma Arruda foi quem lhe passou as informações sobre essa trama, as quais lhe foram levadas por uma assessora de outra vara desta Comarca, cujos suspeitos eram o ex-governador Silval Barbosa e o ex-deputado estadual José Riva; para poupá-la de ser implicada como a fonte da informação, houve a montagem dessa estória cobertura com o conhecimento dela", revelou Correa.

Após o depoimento os delegados ainda chegaram a solicitar a derrubada dos dois pedidos de prisão contra Gerson por conta das colaborações. Porém, o pedido não chegou a ser analisado pelo desembargador Orlando Perri, já que o ministro Mauro Campbell solicitou que todos os processos de investigação dos grampos telefônicos fossem remetidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O depoimento de Gerson ocorreu no Complexo Miranda Reis da Polícia Civil, na última segunda-feira (16), antes que a notificação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegasse oficialmente aos delegados, o que ocorreu por volta das 20 horas do mesmo dia.

Gerson Correa está preso desde o dia 23 de maio quando ocorreu as primeiras prisões do "Escândalo dos Grampos" em Mato Grosso.

INTERESSES POLÍTICOS - Gerson também afirmou que o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques teria orientado a todos os envolvidos no escritório clandestino de grampos ilegais, que toda ação do grupo teria um “cunho político”.

“O interrogado Gerson Correa ouviu do investigado Paulo Taques que o seu interesse nas interceptações ilegais era estritamente político”, diz trecho do depoimento de Gerson. “Os alvos políticos eram adversários do então candidato ao governo do Estado de Mato Grosso, José Pedro Taques”, complementa o cabo.

As investigações da “Grampolândia Pantaneira” já haviam revelado que os coordenadores jurídicos das campanhas adversárias de Taques em 2014, foram alvos da arapongagem da organização criminosa. Os advogados José de Patrocínio que atuou na campanha do ex-vereador Lúdio Cabral (PT), e Antônio Rosa, que coordenou a equipe jurídica da campanha do ex-deputado José Riva e Janete Riva, estavam na lista das vítimas dos grampos ilegais. Além do o ex-candidato a governo, José Marcondes Muvuca.

O cabo da PM ainda explicou que Paulo Taques teria repassado R$ 50 mil para o ex-chefe da Casa Militar Evandro Lesco, para financiar o início das interceptações telefônicas em setembro de 2014.

Gerson também confirmou que os “alvos políticos” da organização criminosa era repassados a ele pelo coronel Zaqueu Barbosa, que seria o coordenador do esquema de arapongagem.

SISTEMA SENTINELA - Gerson Correa também disse em seu depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Henrique Stringueta, que destruiu todos os HDs que armazenavam os áudios do "Sistema Sentinela", responsável pelas interceptações telefônica clandestina em Mato Grosso.



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