Sábado, 18 de novembro de 2017 Edição nº 14841 18/10/2017  










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Cabo diz que destruiu HDs do ‘Sentinela’

Em seu depoimento disse que os grampos tinham cunho ‘político’ eram realizados a mando do ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques

MIDIANEWS
Cabo Gerson Luiz Correia Junior resolveu falar tudo o que sabe do "Escândalo dos Grampos"
PABLO RODRIGO
Da Reportagem

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Correia Junior, disse em seu em seu depoimento aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Henrique Stringueta, que destruiu todos os HDs que armazenavam os áudios do "Sistema Sentinela", responsável pelas interceptações telefônica clandestina em Mato Grosso.

A declaração foi dada nesta segunda-feira (16), quando Gerson prestou depoimento por mais de uma hora, na tentativa de chegar a um acordo de colaboração com a justiça. Acompanhado de seus advogados, Neyman Monteiro e Thiago Abreu, o militar resolveu falar tudo o que sabe do "Escândalo dos Grampos".

Gerson também afirmou que o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques teria orientado a todos os envolvidos no escritório clandestino de grampos ilegais, que toda ação do grupo teria um “cunho político”.

“O interrogado Gerson Correa ouviu do investigado Paulo Taques que o seu interesse nas interceptações ilegais era estritamente político”, diz trecho do depoimento de Gerson. “Os alvos políticos eram adversários do então candidato ao governo do Estado de Mato Grosso, José Pedro Taques”, complementa o cabo.

As investigações da “Grampolândia Pantaneira” já havia revelado que os coordenadores jurídicos das campanhas adversárias de Taques em 2014, foram alvos da arapongagem da organização criminosa. Os advogados José de Patrocínio que atuou na campanha do ex-vereador Lúdio Cabral (PT), e Antônio Rosa, que coordenou a equipe jurídica da campanha do ex-deputado José Riva e Janete Riva, estavam na lista das vítimas dos grampos ilegais. Além do o ex-candidato a governo, José Marcondes Muvuca.

O cabo da PM ainda explicou que Paulo Taques teria repassado R$ 50 mil para o ex-chefe da Casa Militar Evandro Lesco, para financiar o início das interceptações telefônicas em setembro de 2014.

Gerson também confirmou que os “alvos políticos” da organização criminosa era repassados a ele pelo coronel Zaqueu Barbosa, que seria o coordenador do esquema de arapongagem.

O depoimento de Gerson ocorreu no Complexo Miranda Reis da Polícia Civil e antes da notificação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegasse oficialmente aos delegados, já que o ministro Mauro Campbell solicitou que todos os processos de investigação dos grampos telefônicos fossem remetidos ao STJ.

O cabo Gerson está preso desde o dia 23 de maio, quando na ocasião, o ex-comandante da Policia Militar, Zaqueu Barbosa, também foi preso.

LESCO - O coronel Evandro Lesco chegou a iniciar as tratativas para iniciar o processo de delação premiada na semana passada. Lesco elencou uma série de informações que iria revelar caso o acordo fosse firmado.

O primeiro depoimento estava previsto para acontecer nesta terça-feira (17), porém as tratativas foram interrompidas por conta da decisão do STJ de evocar todas as investigações dos grampos para a instância superior.

Durante as tratativas, Lesco confirmou a participação do ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques no esquema dos grampos telefônicos em Mato Grosso. De acordo com o seu depoimento a delegada Ana Cristina Feldner, o esquema estava sendo usado para cunho "político" e que Paulo Taques seria o financiador do “Sistema Sentinela”.

Lesco está preso desde o dia 27 de outubro, quando foi deflagrada a Operação Esdras, que prendeu diversos ex-secretários e secretário do governo Pedro Taques.

Além de Lesco Gerson, foram presos, por determinação do desembargador Orlando Perri, o ex-comandante da Polícia Militar Zaqueu Barbosa, os ex-secretários de Segurança Pública, Rogers Jarbas, de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, o sargento João Ricardo Soler, o major Michel Ferronato e Helen Christy, esposa de Lesco.

SENTINELA - O sistema Sentinela foi implantado de forma clandestina por um grupo de policiais para "vasculhar a intimidade de pessoas, utilizando como subterfúgio investigação de alvos criminosos", segundo apontam as investigações. O sistema de arapongagem contava com um manual de instrução e a implantação dele foi coordenada pelo cabo Euclides Torezan, que chegou a ser preso, mas foi liberado por estar colaborando com as investigações.

Para ter acesso ao sistema clandestino, cada policial envolvido no esquema de arapongagem contava com um login e senha, que eram enviados pela internet. O Sentinela, inclusive, podia ser operado online, o que chegou a gerar preocupação em um dos técnicos que participavam do esquema.

Do inquérito, consta que o sistema funcionava paralelamente aos dois sistemas oficiais de monitoramento telefônico existentes no estado: o 'Sombra', operado pela Polícia Federal, e o 'Guardião', utilizado pela Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE).



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