Quarta feira, 13 de dezembro de 2017 Edição nº 14839 12/10/2017  










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Pedro Nadaf disse que Alan Zanatta recebeu propina

RAFAEL COSTA
Da Reportagem

Em depoimento a Procuradoria Geral da República (PGR) no acordo de colaboração premiada, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março deste ano, o ex-secretário de Estado Pedro Nadaf afirmou que o seu sucessor na pasta de Indústria, Comércio e Mineração, o empresário Alan Zanatta foi favorecido com R$ 200 mil em propina para conceder incentivos fiscais ao setor atacadista.

A fraude teria se concretizado em 2012 quando Nadaf deixou a pasta de Indústria, Comércio e Mineração para assumir a chefia da Casa Civil na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Nadaf relatou aos procuradores da República que tomou conhecimento da propina pelo bom relacionamento mantido com empresários do setor atacadista, principalmente porque já presidiu a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio- MT).

De acordo com o depoimento de Nadaf, Zanatta se uniu ao empresário Sérgio José Gomes, que na época era presidente da Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores para cobrar propinas no valor de R$ 200 mil aos empresários do setor.

O dinheiro a ser pago pelos empresários era uma exigência para autorizar a concessão de incentivos fiscais às empresas do setor atacadista.

“Para que os empresários fizessem uso desse benefício, deveriam pagar propinas para o secretário da Sicme [Alan Zanata] e para o presidente, tanto do sindicato como da associação dos atacadistas, Sérgio José Gomes. A referida estimativa foi definida na época de Eder Moraes como secretário de Fazenda”, diz um dos trechos do depoimento.

Nadaf ainda sustenta que Zanatta participou de outras fraudes, como agir diretamente em favor da arrecadação de dinheiro ilícito para a campanha do então deputado estadual Walace Guimarães (PMDB) a prefeito de Várzea Grande nas eleições de 2012.

O dinheiro teria sido levantado por meio de pagamentos autorizados pela Secretaria de Indústria e Comércio relativo a falsa prestação de serviços.

“A demora no pagamento, conforme me informou Márcio Mesquita, ex-secretário adjunto da Sicme, ocorreu em razão do meu sucessor na Sicme ter utilizado do mesmo serviço fictício, também para resolver dívidas de campanha de Walace Guimarães”, conclui.

Por outro lado, Zanatta nega as acusações de Pedro Nadaf. Ele afirma que, quando ingressou no governo do Estado, já vigorava a cobrança por estimativa e seria impossível receber propina por algo que já acontecia.



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