Sábado, 23 de fevereiro de 2019 Edição nº 14820 15/09/2017  










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O joio e o trigo

Acostumado a presenciar grandes operações da Polícia Federal no desmantelamento de crimes transnacionais e ambientais, e também a pequenas ações à cassa de corruptos, Mato Grosso amanheceu ontem tomado pela surpresa de uma megaoperação, a Malebolge, que embora não tenha cumprido mandados de prisão, atingiu parte das instituições e um considerável número de políticos influentes.

Por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, para apuração de fatos narrados pelo ex-governador Silval Barbosa, a PF entrou em cena e o ponto mais destacado de sua ação foi levar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a determinação de Fux pelo afastamento de cinco dos sete conselheiros daquele órgão técnico vinculado a Assembleia Legislativa e a proibição aos mesmos de comparecerem àquele local e de manterem contatos com seus servidores.

Agentes da PF também efetuaram buscas em vários gabinetes de deputados na Assembleia, numa ação que se rotula pente fino, pois chegaram ao ponto de vasculharem os tetos dos mesmos.

A abrangência da operação da PF é ampla. Ela inclui buscas em endereços do ministro da Agricultura, Blairo Maggi; no gabinete do deputado Ezequiel Fonseca, na Câmara Federal; na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado; nas prefeituras de Cuiabá e Juara; e em dezenas de domicílios e estabelecimento comerciais dos investigados que foram delatados por Silval.

Detalhar a operação é fugir do conteúdo opinativo. Melhor é acompanhar o noticiário em outras páginas do Diário. No entanto, a ação policial resultante de determinação da mais alta corte de Justiça do Brasil precisa ser observada tanto por sua dimensão quanto por seu caráter investigativo calcado na isenção e seriedade, longe da pirotecnia, como a população quer e espera.

A inteligência sugere que entre o silêncio e a delação de Silval que se fique com a segunda opção. Sobre o tema a prudência recomenda que não se pode tomar ao pé da letra toda a carga delatada. Por se tratar da relação de um réu com a Justiça, da qual espera o benefício da redução de eventual pena, o delator pode atirar pedras aleatoriamente atingindo a alguns ou deixar de arremessar outras para que não caíam sobre figuras que pretende blindar.

Parte do que se delatou sempre fez parte do conhecimento público, mas que nunca ganhava forma de denúncia pela complexidade do caso e a força dos seus personagens ativos e passivos. Outro tanto colheu de surpresa a população.

Que a PF repita nessa operação a excelência de seus inquéritos, pois os mesmos serão os alicerces que nortearão as futuras decisões judiciais tanto para condenação quanto para absolvição. Que Mato Grosso não se sinta constrangido pelo que ora se vê em relação a Assembleia e TCE, pois não há nada que não seja republicano nessa operação – calcada nos ditames legais - a não ser as suspeitas que a PF investiga para separar o joio do trigo.



Que Mato Grosso não se sinta constrangido pelo que ora se vê em relação a Assembleia e TCE



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