Segunda feira, 25 de setembro de 2017 Edição nº 14777 15/07/2017  










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Projeto vai fomentar armazenagem

Da Redação

A cada ano a cena se repete durante a colheita do milho em Mato Grosso: toneladas de grãos a céu aberto formando “montanhas” próximas às tradings. Com as safras de soja e milho estimadas em 59,3 milhões de toneladas neste ano, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), produção se choca com uma capacidade de armazenagem de 33,4 milhões de toneladas.

Considerando os requisitos da FAO (Food and Agriculture Organization), órgão das Nações Unidas que determina uma capacidade de armazenagem superior a 20% da produção, o déficit de Mato Grosso atualmente é de pouco mais de 37 milhões de toneladas.

Exatamente para começar a mudar a realidade vivida pelo agricultor mato-grossense é que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) lançou neste mês de julho o projeto Armazena-MT. “O principal objetivo é desburocratizar o acesso ao crédito e auxiliar em possíveis dificuldades técnicas que nossos associados venham a ter”, explica o gerente de Política Agrícola da associação, Frederico Azevedo.

Também estão previstos como objetivos do projeto o fomento às linhas de créditos para construção de armazéns que sejam mais atrativas, a difusão de soluções alternativas de armazenagem e a implementação gradativa da cultura de condomínios, que são voltados principalmente aos pequenos produtores sem viabilidade econômica para construírem seus próprios armazéns.

Também faz parte do projeto identificar as principais vantagens de um armazém próprio. “Temos a minimização das perdas quantitativas e qualitativas dos grãos, menores gastos com transporte, maior agilidade na colheita e possibilidade de escalonamento de comercialização. Tudo isso, no fim, representa uma melhora significativa na competitividade do agricultor mato-grossense”, afirma Azevedo.

Produtor e vice-presidente Norte da Aprosoja, Emerson Zancanaro tem armazém em sua propriedade, no município de Nova Mutum (269 quilômetros de Cuiabá), desde 2002. Para ele armazenagem própria significa segurança. “A armazenagem deve ser o principal investimento hoje em uma propriedade rural. Conseguimos ter uma melhor gestão da comercialização da produção, pois posso decidir o melhor momento de venda. Além disso, a armazenagem descomplica a questão da logística na hora da entrega e me faz ter um custo operacional bem menor. O custo da secagem na fazenda também é mais baixo. Além disso, com os constantes problemas de divergência na classificação de grãos, quem tem armazém consegue padronizar o produto evitando descontos pelas compradoras, transformando o que seria desconto em rentabilidade”, define.



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