Quinta feira, 21 de março de 2019 Edição nº 14761 23/06/2017  










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EUA anunciam embargo à carne brasileira

As medidas de correção de inconformidades anunciadas pelo Mapa não foram suficientes para convencer o governo norte-americano a manter consumo

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Sob alegação de garantir a segurança alimentar nos EUA, 100% da carne brasileira fresca está impedida de acessar ao mercado norte-americano
MARIANNA PERES
Da Editoria

Os Estados Unidos colocou fim ontem às importações de carne bovina in natura vindas do Brasil. Alguns dias após comunicar ao governo brasileiro sobre irregularidades provocadas por reação à vacina contra febre aftosa, detectada por suas autoridades sanitárias, o país informou o embargo de 100% das compras, “devido a preocupações com a segurança do mercado norte-americano”. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou o embargo.

Com essa decisão, o Brasil e o Mato Grosso, dão um grande passo para trás, retroagindo no tempo. Há quase 17 anos, os frigoríficos brasileiros só podiam exportar cortes industrializados e processados, conhecidos também como corned beef.

De acordo com dados da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), duas plantas estavam habilitadas a atender ao mercado norte-americano com envio de carne in natura (fresca): JBS de Barra do Garças e Marfrig de Paranatinga, essa última com as exportações já suspensas pelo governo brasileiro, desde o último dia 16, quando houve o comunicado dos Estados Unidos. A suspensão anunciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi uma iniciativa preventiva, justamente para evitar o embargo total. A estratégia do Mapa atingiu cinco frigoríficos no país, entre eles uma unidade em Mato Grosso, localizada em Paranatinga (387 quilômetros ao sul de Cuiabá). Foram suspensas também, as unidades do Marfrig de São Gabriel (RS) e Promissão (SP). Da JBS em Campo Grande (MS) e do Minerva em Palmeiras de Goiás (GO).

De Washington, o secretário de agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, relata por meio de um comunicado emitido ontem, que desde março, o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) tem inspecionado 100% de todas as carnes e derivados que chegam aos EUA vindos do Brasil. Nessas fiscalizações eles barraram a entrada de 11% do total vistoriado. “O percentual é alto comparado à taxa de rejeição de 1% dos produtos que vem de outros países. Desde a implementação da inspeção, o FSIS recusou a entrada de 106 lotes de carne brasileira – cerca de uma tonelada – sob a alegação de preocupação com a saúde pública, condições sanitárias e problema de saúde dos animais. É importante ressaltar que nenhum dos lotes rejeitados foi para os mercados norte-americanos”, diz trecho do comunicado.

O secretário de agricultura dos Estados Unidos reconhece a iniciativa do governo brasileiro, “que prometeu tomar providências”, entre elas a suspensão imediata das exportações de cinco frigoríficos. Apesar de acompanhar todo o processo em curso no Brasil, as autoridades norte-americanas decidiram “suspender toda a importação do Brasil, substituindo a ação do governo brasileiro, que impedia apenas o embarque originado das cinco unidades”.

Ainda conforme o pronunciamento de Sonny Perdue, "garantir a segurança do abastecimento de comida da nossa nação é nossa missão principal e levamos muito a sério. Mesmo as importações internacionais sendo uma parte importante do que demandamos e o Brasil sendo um dos nossos parceiros de longa data, minha prioridade é proteger os consumidores norte-americanos. Isso é o que fizemos ao interromper a importação de carne do Brasil. Eu elogio o trabalho do FSIS por proteger os alimentos que servimos as nossas famílias”.

REPERCUSSÃO – O diretor executivo da Acrimat, Luciano Vacari, fez questão de ressaltar que não importa se o volume exportado por Mato Grosso é grande ou pequeno. “Qualquer mercado é importante para a carne nacional”.

Ele cobra uma ação enérgica do Mapa, especialmente em relação à fiscalização nas plantas frigoríficas como dentro dos laboratórios que produzem a vacina contra a febre aftosa. “Mais uma vez é preciso agir com firmeza. Não importa se as inconformidades apontadas pelos Estados Unidos foram causadas por má aplicação da dose, se a dose tem tido alto grau de reação. Não podemos deixar de atender os consumidores da nossa carne com excelência. A indústria, nesse caso, que deixou passar carne com as citadas irregularidades, não podia ter deixado isso ocorrer. Foi um grande erro operacional. O Brasil tem obrigação em atender bem os seus consumidores”.

O mercado mato-grossense, detentor do maior rebanho bovino do país – 29 milhões de cabeças -, teme pelos impactos de mais essa crise. Desde a operação Carne Fraca, em março, a arroba do boi vem se desvalorizando e na semana passada atingiu a sexta queda semanal consecutiva.

Mais do que um grande e novo mercado consumidor à carne brasileira in natura – e mato-grossense -, os Estados Unidos são um importante cartão de visitas à pauta brasileira, o que acaba direcionando e estimulando o apetite de outros mercados para o Brasil, em razão de seu rigoroso padrão de fiscalização. Em junho de 2015, o Brasil abriu o mercado norte-americano para o consumo da carne bovina in natura.

De janeiro a maio foram enviados US$ 49 milhões em carne bovina in natura do Brasil, sendo US$ 11,1 milhões de Mato Grosso. As exportações tiveram início no segundo semestre do ano passado.



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