Terça feira, 21 de maio de 2019 Edição nº 14752 09/06/2017  










OPERAÇÃO RÊMORAAnterior | Índice | Próxima

Malouf diz que deputados foram favorecidos

Segundo Alan Malouf o deputado estadual Guilherme Maluf e o deputado federal Nilson Leitão foram favorecidos com o desvio de dinheiro da Seduc

DINALTE MIRANDA/DC
Alan Malouf deixa o fórum de Cuiabá acompanhado por seu advogado após depoimento para juíza Selma Arruda
RAFAEL COSTA
Da Reportagem

Em depoimento a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, o empresário Alan Malouf afirmou na tarde ontem (8) que o deputado estadual Guilherme Maluf e o deputado federal Nilson Leitão, ambos do PSDB, foram favorecidos com o desvio de dinheiro da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

“Entreguei pessoalmente R$ 40 mil ao Guilherme Maluf. Nunca tive contato com o Nilson Leitão, mas o Giovani Guizardi sempre manteve informado de que havia pagamentos para ele”, disse.

Malouf ainda revelou que o governador Pedro Taques (PSDB) e o seu primo, o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, prometeram empenho para colocar em liberdade o empresário Giovani Guizardi, dono da Dínamo Construtora, e operador do esquema de propina. A promessa teria sido feita em maio do ano passado no Palácio Paiaguás.

“Primeiro, foi preso o Giovani, depois o Permínio e eu. Eu alertei o Pedro e o Paulo que os dois estavam fazendo negócios na Seduc para saldar dívidas de campanha e ele sempre me dizia para ficar tranquilo que ele iria dar um jeito para soltá-los, mas isso não ocorreu”, contou.

Malouf disse em juízo que o governador Pedro Taques tinha pleno conhecimento do esquema de propina paga a um grupo de servidores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e de fraude em licitação para favorecimento a empreiteiras bem como a existência de caixa 2 em sua campanha eleitoral de 2014 na disputa ao Palácio Paiaguás.

Malouf declarou que doou a quantia de R$ 2 milhões em caixa 2 para a campanha do governador Pedro Taques e conseguiu receber apenas R$ 260 mil de retorno em parcelas.

Ao final da campanha eleitoral, ainda auxiliou no pagamento de dívidas eleitorais que estavam pendentes.

“Foi feito um rateio para saldar a dívida e eu ajudei a pagar. Foi como um empréstimo a pedido do próprio governador”, explicou.

Argumentando que planeja colaborar com a Justiça, Malouf disse que está disposto a devolver a quantia de R$ 260 mil oriunda do desvio de dinheiro público.

No termo de colaboração premiada que firmou com o Ministério Público Estadual (MPE), o empresário Giovani Guizardi, apontado como operador do esquema de propina declarou que as fraudes em licitações para favorecimento de empreiteiras em contratos de reformas e construção de unidades escolares teria o propósito de desviar dinheiro dos cofres públicos para garantir ressarcimento ao empresário Alan Malouf na ordem de até R$ 10 milhões.

No depoimento que durou pouco mais de 30 minutos, Malouf ainda disse que ao tomar conhecimento da operação policial do Gaeco na Educação, encaminhou uma mensagem de celular ao governador Pedro Taques. O tucano estava em Brasília e pediu que Malouf fosse até a sede do Palácio Paiaguás.

Pessoalmente, o empresário disse ter alertado o governador, que na ocasião estava na companhia de Paulo Taques, ex-secretário da Casa Civil e primo de Pedro Taques.

Malouf relatou ainda que o governador disse que iria resolver e pediu para permanecer tranquilo. "Eu o lembrei da doação feita pelo Guizardi durante a campanha dele. Ele disse que iria resolver o assunto e que eu deveria ficar tranquilo", pontuou.

Alan Malouf também detalhou que, ao tomar conhecimento da prisão do ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, novamente entrou em contato com o governador para alertá-lo.

Neste segundo encontro, Taques disse que iria revolver a situação, mas, de acordo com o empresário, nada foi resolvido. "Tanto não resolveu que eu também fui preso", disse.

Malouf foi preso em dezembro do ano passado e solto 10 dias depois após ter a prisão preventiva revogada às vésperas do Natal.

As investigações do Ministério Público apontam que Malouf tinha o papel de formular e aprovas os procedimentos montados pela organização criminosa que visava desvio de dinheiro público. Por conta disso, responde a uma ação penal por organização criminosa e corrupção passiva.

PROMOTOR - Após o depoimento, o promotor de Justiça Carlos Zarour, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), declarou que as revelações do empresário Alan Malouf sobre o governador Pedro Taques (PSDB) e o deputado federal Nilson Leitão serão encaminhadas para ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF), respectivamente.

Isso por conta do foro por prerrogativa de função assegurada aos governadores e parlamentares federais nos tribunais superiores.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve ser o responsável por analisar o caso. “Essas situações estão surgindo agora, na parte final do processo, depois das investigações. E como estão surgindo agora, somente neste momento vão ser remetidas para autoridades que têm atribuições para investigar pessoas com prerrogativa de foro”, explicou, após o depoimento do empresário”, declarou Zarour.

O promotor de Justiça ainda considerou satisfatório o depoimento de Alan Malouf. “Ele confessou os fatos, se tornou réu confesso. Ou seja, todos os fatos que o Gaeco apresentou à Justiça são verdadeiros”, comemorou.

OUTRO LADO – Através de nota o deputado federal Nilson Leitão disse que “as declarações do depoente são vazias, baseadas em conversas que ouviu de terceiros, sem qualquer relação com a verdade”.

O governador Pedro Taques reagiu com indignação às declarações mentirosas, irresponsáveis, levianas e sem provas do senhor Alan Malouf sobre a existência de um suposto “caixa 2” na sua campanha de 2014.

O governador reitera o que já disse publicamente sobre o caso: não houve caixa dois em sua campanha e que sua prestação de contas foi aprovada sem ressalvas pela Justiça Eleitoral, onde pode ser acessada por qualquer pessoa.

O governador também esclarece que tomou todas as medidas que competiam ao Estado assim que a operação do MPE foi deflagrada para apurar a existência do esquema de conluio de empresários, entre os quais o senhor Alan Malouf, e servidores públicos para fraudar licitações na Secretaria de Estado de Educação.



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