Terça feira, 21 de maio de 2019 Edição nº 14751 08/06/2017  










MAURO SÉRGIO SANTOSAnterior | Índice | Próxima

Reinventar a democracia

“Reinventemos, pois, a democracia” (José Saramago)

O movimento “Ocupa Brasília” reprimido pela surpreendente convocação das forças armadas por parte do presidente Michel Temer, conduz-nos à constatação do óbvio: estamos em crise (como se já não soubéssemos!). Contudo, esta quase tautologia, caro leitor, não faz coro, em hipótese alguma, à desesperança a que somos conduzidos por aqueles que, há muito, anunciam a iminência do caos.

A palavra crise é uma expressão de origem grega, vem de “krinein” e significa algo como: momento de decisão, distanciamento para reflexão; preparação para o início de um momento novo (bom ou ruim).

A vida, em sua totalidade, é repleta de ocasiões críticas que ensejam o novo: a morte da semente para o nascimento da flor, a superação da infância no processo de “adolescer” para a passagem à vida adulta, a casca do machucado que dá origem à nova pele; a antítese que, em conflito com a tese, dá forma à síntese. (…) Em todos os casos, da experiência da crise, emana algo novo: bom ou ruim.

“Pra varia, estamos em guerra”, digo, crise. Com efeito, há uma crise na democracia; não da democracia. Existem tensões nas instituições, ou seja, envolvendo agentes políticos. Todavia, as instituições são mais que a somatória dos indivíduos; são anteriores e sobrevivem a estes. Destarte, talvez não haja, como vociferam as ruas e redes sociais, uma crise das instituições. Estas, ao contrário do que pensamos, alimentam-se e se fortalecem através dos conflitos e embates.

Deputados e senadores se corromperam, mas não o parlamento. Juízes e promotores são seduzidos pelo canto da sereia da politização e dos holofotes; o que não quer dizer que o judiciário esteja falido. Em nome da governabilidade, ocupantes dos executivos fazem concessões, alianças e acordos insustentáveis; o que aponta para o fato de que o sistema presidencialista, enquanto regime político, pode (e talvez deva) ser revisitado, questionado, reinventado ou mesmo substituído. Não obstante, a Presidência da República, por exemplo, sobrevive às imperfeições daqueles que ocupam o Palácio do Planalto.

Na democracia, anormal é justamente a ausência de conflitos, imposta pela força. Anômalas são as rupturas decorrentes de subterfúgios autoritários e incestuosas quebras das regras do jogo.

Escatologias de botequim, promessas messiânicas, soluções mágicas e instantâneas são típicas em momentos como o que vivemos e, estas sim, colocam em risco, as instituições democráticas.

Não há messias, salvadores da pátria ou milagres (no sentido religioso do termo). Na democracia, a trajetória é a própria realização. O caminho é árduo, tortuoso. Democracia é processo! É o reflexo da própria condição humana: a imperfeição, a contradição, o conflito; o movimento de avanços e retrocessos; está sempre se reinventando. Está sempre “em aberto”, não é um modelo perfeito, mas é o melhor dos mundos possíveis.

“Fé na vida, fé no homem, fé no que virá” (Gonzaguinha)



* MAURO SÉRGIO SANTOS, Mestre em Filosofia doutorando em Educação

mauro.filos@hotmail.com



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