Domingo, 20 de outubro de 2019 Edição nº 14747 02/06/2017  










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Comerciantes da FEB não perdem esperança

Parecer dos Ministérios Públicos, contrário ao acordo para retomada da obra, desanima comerciantes que estão ao longo da obra

DINALTE MIRANDA/DC
“O certo é terminar e o mais rápido possível. Essa obra mexeu com a vida de muitas famílias e fechou muitos comércios”, disse a comerciante Claudete Borges
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

O parecer contrário dos Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE) ao acordo firmado entre o Governo do Estado e Consórcio VLT mexeu com a expectativa dos moradores e proprietários de estabelecimentos comerciais, localizados ao longo da Avenida da FEB, em Várzea Grande. Para eles, a esperança de retomada do VLT está cada vez mais longe da realidade.

A promessa do Estado era reiniciar os trabalhos ainda neste primeiro semestre deste ano. Ontem pela manhã, o governador Pedro Taques afirmou que os MPF e MPE não são contrários ao acordo, mas que apenas sugeriram algumas alterações, que serão feitas.

“O certo é terminar e o mais rápido possível. Essa obra mexeu com a vida de muitas famílias e fechou muitos comércios. A gente só não fechou as portas por que não pagamos aluguel”, disse a comerciante Claudete Borges, de 55 anos.

O aposentado Pedro Horácio de Melo, 83 anos, também garante que ainda tem a esperança de ver o VLT funcionando. “Fiquei sabendo que (MPF e MPE) deram parecer contrário. Acho que estão certo. Já foi gasto muito dinheiro, que desviaram. Não tem que pagar mais nada. Mas, já fui empreiteiro e, por alto, dá ver que para terminar são pelo menos mais um bilhão. Acho difícil retomarem essa obra, mas ainda tenho esperança”, comentou.

Já o comerciante Mauro Meira, de 61 anos, não mostra tanta confiança. “Eu sou a favor dessa conclusão. Já jogaram muito dinheiro da população pelo ralo. Tem que terminar até para a cidade ficar mais bonita, valorizar e acabar com tantos acidentes que ocorrem com frequência”, frisou.

Conforme o relatório do MPF e MPE, assinado pela procuradora da República Bianca Britto de Araújo e pelo promotor de Justiça André Luís de Almeida, o documento prevendo o acordo entre o Estado e o Consórcio possui “verdadeiras incertezas e inseguranças quanto aos termos em que foram estabelecidos valores, e a cerca da regularização das diversas falhas e equívocos observados no passado, durante desastrosa tentativa de execução/finalização das obras”.

O principal ponto questionado pelos órgãos fiscalizadores diz respeito a valores. O relatório afirma que o Executivo Estadual não levou em consideração o relatório elaborado pela KPMG, ao aceitar o valor de R$ 922 milhões para retomada das obras no acordo. Conforme o acordo firmado entre o Governo do Estado e o Consórcio VLT, a implantação do novo modal levará 24 meses para ser concluído.

O relatório técnico produzido pela KPMG aponta, entretanto, que as obras podem ser finalizadas em 19 meses. Levando isso em consideração, a equipe técnica do MPF e MPE afirma que este lapso temporal de cinco meses “significa R$ 122,7 milhões em acréscimos de valores ao total a ser englobado na proposta apresentada para o acordo”.

Em nota, o Governo do Estado disse que respeita a posição do MPF e do MPE, mas que discorda pontualmente das conclusões apresentadas pelos ministérios. O governo reafirmou que todos os valores mencionados na minuta do acordo com o Consórcio VLT têm por base a auditoria realizada pela KPMG, empresa de consultoria contratada pelo Estado.

Reforçou ainda que as condições e os valores foram obtidos a partir de discussões ocorridas em reuniões absolutamente transparentes, compartilhadas com os representantes do Ministério Público e pautadas na busca em encontrar a solução que melhor atenda ao interesse público, que é a entrega do VLT à sociedade no prazo mais curto e pelo menor custo possível.

Segundo o Governo, o valor de R$ 922 milhões contido na minuta do acordo reflete os custos de passivos do contrato, do saldo do contrato ainda a executar e, também, de valores necessários para conclusão da obra em prazo adicional de 24 meses.

“Por fim, o Governo do Estado, que tem a competência de decidir sobre a retomada ou não desta obra – o que já o fez -, crê na possibilidade de acordo que resultará na retomada do VLT, mas só o fará com responsabilidade, zelo ao interesse e ao patrimônio públicos, transparência e corrigindo erros cometidos nesse contrato anteriormente. Para isso, adotará todas as medidas que resguardem o interesse público e evitem que tenhamos uma obra inacabada em Cuiabá e Várzea Grande, o que aumentaria os prejuízos à sociedade”, pontou.

Ontem pela manhã, em entrevista coletiva, o governador Pedro Taques afirmou que os MPF e MPE não são contrários ao acordo, mas que apenas sugeriram algumas alterações, que serão feitas.

“Agora o que está existindo no Estado de Mato Grosso é o seguinte: aqueles que fizeram a patifaria do VLT no passado, hoje são contrários ao VLT. Parece uma brincadeira isso. Mas, tem pai do VLT e tem irmã do VLT contrários ao VLT hoje”, disse. “Jogaram essa bomba no Estado de Mato Grosso. Eu fui contra o VLT. Aliás, a sociedade estava inebriada pelo VLT e agora que estamos buscamos consertar os rumos, não querem que os rumos sejam consertados. Política não se faz com patifaria. Política se faz com coisa séria”, acrescentou.

Taques voltou a dizer que não pretende jogar o lixo para debaixo dos trilhos. “Se eu fosse um governador irresponsável eu pegaria os vagões do VLT e jogaria na cabeça de algumas pessoas, mas eu não posso fazer isso. Eu sou um governador responsável. Eu tenho que resolver os problemas e vamos resolvê-los, mas sem jogar o lixo para debaixo dos trilhos”, afiançou.



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