Quarta feira, 20 de março de 2019 Edição nº 14737 19/05/2017  










DÓLAR E BOLSAAnterior | Índice | Próxima

Em direção contrária, fazem história

Moeda norte-americana sumiu do mercado cuiabano e deixou vendedores e compradores assustados, apesar de acumular a 3ª maior alta desde o Plano Real

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Dólar à vista no balcão subiu 8,07%, fechando a R$ 3,3868, maior nível desde 16 de dezembro do ano passado
MARIANNA PERES
Da Editoria com Agência Estado

O conteúdo explosivo da delação do empresário Joesley Batista comprometendo o presidente Michel Temer teve efeitos drásticos sobre o mercado de ações, que viu ressurgir a figura do "circuit breaker", mecanismo de defesa da Bolsa contra oscilações demasiadamente bruscas. O dólar, também influenciado pelo cenário político, bateu recorde de valorização, mesmo com cinco intervenções do Banco Central.

As denúncias que vieram à tona na noite da última quarta-feira pegaram uma universitária da Faculdade de Direito, que está às vésperas de embarcar para os Estados Unidos, de surpresa. Ela não havia comprado todo do dólar necessário e descobriu ontem de manhã que o dinheiro em espécie estava em falta nas casas de câmbio de Cuiabá. Um dos operadores locais consultados por ela informou que em razão da instabilidade do mercado, a matriz da empresa não havia liberado a moeda em espécie para venda e que as negociações com o dólar só seriam retomadas hoje.

Em outros locais, a estudante, que não está indo a passeio e sim, com propósito acadêmico, não teve detalhes sobre a falta da moeda estrangeira. Como explicou a solução para fechar o dinheiro que ela estabeleceu como necessário à viagem foi fazer o cartão pré-pago, com o dólar variando entre R$ 3,71 e R$ 4,10. Por um pedido dela mesma, o nome foi mantido em anonimato.

A moeda norte-americana marcou ontem a terceira maior alta da história ante o real, perdendo apenas para os dois episódios registrados durante a maxidesvalorização vista em janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou o regime de bandas cambiais. O escândalo envolvendo o presidente Michel Temer ainda pode levar à queda do governo e, mesmo que isso não aconteça, certamente prejudicará o andamento das reformas estruturais.

O dólar à vista no balcão subiu 8,07%, fechando a R$ 3,3868, o maior nível desde 16 de dezembro do ano passado. A alta porcentual só perde para 15 de janeiro (+11,10%) e 13 de janeiro (+8,91%) de 1999. O giro registrado pela clearing de câmbio da B3 foi de US$ 2,056 bilhões, bastante fortes para a média recente. O dólar futuro para junho avançava 7,42% por volta das 17h15, a R$ 3,3805. O volume de negócios era de US$ 30,19 bilhões.

Nas cinco operações cambiais realizadas pelo BC, a instituição negociou com o mercado um total de 88.000 contratos de swap (US$ 4,40 bilhões). Foram quatro leilões extraordinários, além da rolagem dos contratos que vencem em junho, que já estava prevista.

Conforme os analistas financeiros, o mercado nacional não vivia um dia como ontem, desde que o banco norte-americano Lehman Brothers quebrou, em 2008, arrastando as bolsas de valores de todo o mundo. “A delação de Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, que coloca o presidente Michel Temer no meio de um turbilhão, fez com que a bolsa brasileira recuasse 8,8%, pior resultado em quase nove anos. O dólar fechou em alta de 8,07% - o terceiro maior aumento da história do real”.

O pânico generalizado derrubou algumas das maiores empresas brasileiras, principalmente as estatais, cujos preços já embutem um risco político maior. A Petrobras, a maior delas, teve quedas de 11,37% (as ações ordinárias, com direito a voto) e de 15,76% (preferenciais, sem direito a voto). Logo no início dos negócios, uma onda de operações de zeragem de posições levou o Índice Bovespa a cair até 10,70%, levando à interrupção das operações por 30 minutos, o chamado circuit breaker.

Entre os analistas, a incerteza era um ponto comum. Sem clareza sobre os desdobramentos da crise - principalmente depois de Temer afirmar, em um discurso na tarde desta quinta, que não iria renunciar -, as previsões são de muita volatilidade nos mercados também nos próximos dias. "O grande problema é que não temos ideia do que vai acontecer daqui em diante. É um problema sério, que pode causar uma brutal destruição de valor das companhias brasileiras", disse Álvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Modalmais.

Apesar de todas as dificuldades que já vinham cercando o governo Temer, com vários de seus ministros - e ele próprio - já citados em delações da Operação Lava Jato, a avaliação do mercado financeiro era de que pelo menos as reformas vinham avançando. A aprovação da reforma da Previdência, que está no plenário da Câmara, era esperada como uma espécie de senha para mostrar que o País poderia realmente recuperar o rumo do crescimento.

O novo cenário, porém, passa longe da aprovação das reformas neste momento. O consenso é que qualquer votação nesse sentido está congelada. O relator da reforma trabalhista (que também tramita no Congresso) em duas comissões do Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), por exemplo, disse que não vai mais entregar o parecer do projeto, conforme estava previsto no calendário. O argumento é que a crise institucional é tão grave, que a reforma se tornou "secundária".

Para alguns analistas, importante para o País atingir algum equilíbrio nos próximos meses seria a manutenção da equipe econômica, independentemente de quem estivesse na presidência.

Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, diz que isso seria "crucial" para evitar retrocessos. Ainda assim, ela acredita que será difícil para um governo de transição conseguir aprovar as reformas que tramitam no Congresso. Para a economista, é certo que a crise vai tirar tração da retomada econômica, mas ainda não está claro se o País terá mais um ano de recessão.



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