Domingo, 25 de agosto de 2019 Edição nº 14737 19/05/2017  










ALINE ALMEIDAAnterior | Índice | Próxima

Infância interrompida

Mais de três mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registrados em Mato Grosso nos últimos seis anos. Os dados são da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, mais precisamente pelo ‘Disque 100’. A fragilidade e sensibilidade das crianças acabam fazendo que as mesmas se tornem “alvos fáceis”. A maldade humana chega ao ponto de atingir seres indefesos.

Somente no ano de 2015 foram contabilizados 482 crianças e adolescentes vítimas dos mais variados tipos de violência sexual no Estado. Abusos, estupros, pornografia, aliciamento, entre outros. A maior parte das vítimas são meninas e a maioria das vítimas está na faixa etária de 0 a 11 anos, que corresponde a 40% do total.

Seres que deveriam ser defendidos pelos adultos e que acabam sendo vítimas dos mesmos. Muitas vezes os agressores estão no próprio seio familiar, pais, padrastos, tios, entre outros, que em tese deveriam dar a proteção, acabam interrompendo infância.

Impossível mensurar a dor de uma vítima de abuso, principalmente uma criança. Um ciclo acaba cortado, isso porque a marca fica para a vida toda. O problema é ainda mais grave porque muitos casos sequer chegam ao conhecimento das autoridades competentes. Por medo, vergonha e muitos outros motivos, as crianças acabam se calando.

É muito importante que os pais mantenham um diálogo sempre aberto com os filhos e transmitam a confiança necessária para que crimes não fiquem impunes. E principalmente que não se calem diante desses casos para defender o agressor. Infelizmente essa é uma realidade. Muitas mães não denunciam para “defender” companheiros.

Mas o que falta para combatermos esta triste realidade? Não creio que mais leis sejam necessárias, mas o cumprimento das mesmas. A pena quando se trata de vítima menor é ainda mais grave. No entanto, o que mais vemos é criminosos reincidentes, o estuprador continuando a fazer vítimas, as famílias continuando caladas diante dos crimes.

Quanto aos criminosos, o sistema prisional não tem qualquer condição de ressocializar. A verdade é que o acusado é jogado numa cela apenas para cumprir a pena. Não há qualquer acompanhamento psiquiátrico, psicológico ou ações de reeducação. Isso muitas vezes sequer é garantido para a vítima. Apenas um pequeno acompanhamento na fase inicial, como se as sequelas fossem apagadas. Essas vítimas deveriam ser acompanhadas constantemente.

Para a sociedade faltam informações. Palestras nas escolas para que chegue ao conhecimento dos pequenos que certos gestos não são de carinho. Conhecimento as famílias para que não aceitem violência sexual como algo normal, afinal, nossas crianças dependem apenas de nós.



ALINE ALMEIDA é repórter



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