Sexta feira, 24 de maio de 2019 Edição nº 14733 13/05/2017  










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Educação política (4)

Uma pessoa que tenha boa Educação Política precisa saber considerar a importância dos primeiros habitantes do Brasil, que já foram milhões em 1.500 e hoje estão restritos a 252 povos indígenas, somando algumas poucas centenas de milhares, que clamam o seu direito à terra e à vida. A Constituição estabeleceu prazo de cinco anos, a partir de 1988, para que os territórios indígenas fossem demarcados. Mas, enquanto Estado adia soluções, aumentam as tensões, nas quais vidas são perdidas e abrem-se brechas à degradação do meio ambiente.

Em um mundo de globalização, respeitar os povos indígenas, suas especificidades culturais, preservar suas culturas tradicionais, permitindo sua integração à sociedade moderna é base para se ter educação política. Afinal, contrariamente ao que pensavam os recém-chegados, a história das tribos Tupiniquins começou bem antes do abeiramento das caravelas portuguesas às praias do litoral da atual Bahia.

Estudos arqueológicos recentes, com base em restos de fogueiras pré-históricas apontam para a existência de grupos humanos na Serra da Capivara (Piauí), há cerca de 9 mil anos antes de Cristo. E no lado norte do Rio Amazonas alguns milhares de anos antes. Isto significa, a existência de uma cultura indígena que soube adequar-se aos recursos naturais disponíveis, desenvolvendo grande variedade de trabalho manual capaz de garantir sua sobrevivência.

Uma rica cultura indígena herdada de ancestrais estava presente desde o plantio de algodão, amendoim, porongos, criação de cerâmica utilitária, esculturas de pedras e na maestria na preparação de tintas. No Norte do país verificou-se que os antigos habitantes sabiam recuperar o solo para o plantio de alimentos e eram sofisticados em sua organização social. Tudo isso pode ser encontrado no interior de cavernas em Roraima e no Rio Grande do Norte. Ou seja, os portugueses encontraram descendentes desses grupos que praticavam a horticultura, a coleta, a caça e a pesca com habitações de 4 a 7 malocas com cerimônias religiosas, prática de poligamia, punições para adultério, serviço de parto e divisão do trabalho de mulheres e homens.

Portanto, esperava-se por parte dos portugueses respeito e convívio harmonioso. Os primeiros contatos foram nesse sentido, e se deram na forma de troca de presentes e alimentos. Mas, com o passar do tempo, os portugueses ignoraram a identidade dos povos indígenas, acusando-os de não ter religião ou de desenvolver a agricultura. Tudo isso para justificar a exploração e a catequese obrigatória de tribos inteiras, a tomada de suas terras e mesmo a captura de alguns para trabalhos servis.

A partir de 1534, quando se instalou o regime de Capitanias Hereditárias – intensificando-se em 1549 com o Governo-Geral – que foi decretado o massacre aos índios. Sendo que o Regimento do Governador Tomé de Souza aplicou a política de “Grande Terror”, sequenciado por Mem de Sá em 1557, o campeão da violência.

A Confederação dos Tamoios foi o primeiro movimento de resistência que terminou com milhares de índios mortos e escravizados. Em razão da truculência dos portugueses em vários episódios que levaram à morte lideranças indígenas, vários grupos ou tribos acabaram se unindo a invasores franceses para se contrapor ao poder português. Esse foi o caso da Confederação dos Tamoios, que reuniu tupinambás, goitacás e aimorés, entre outros.

Os indígenas, em outros episódios importantes de nossa história foram fundamentais para a consolidação de nosso território, devemos lembrar das guerras contra os invasores holandeses e também a presença de nossos índios cavaleiros, os Kadiwéu na Guerra do Paraguai. Tão importantes nas batalhas que o imperador D. Pedro II os homenageou e reconheceu suas terras.

Vários países só conseguiram superar o histórico de genocídio que pesava sobre a consciência nacional pedindo desculpas formais aos indígenas remanescentes e dando-lhes destaque na posse de territórios e estabelecendo políticas públicas para valorizar a cultura dos povos originários. Bom exemplo disso é o Canadá e a Nova Zelândia, seguido da Austrália.

O Brasil ainda precisa caminhar bastante até chegar nos ensinamentos do grande Marechal Cândido Mariano da Silva, da descendência indígena. E uma parte importante desse caminhar é a educação política de nossa sociedade. O Brasil é um país multiétnico, nenhum de seus componentes é menor ou maior que outro. Todos contribuíram para o que somos e para o que seremos. Todos sofreram as agruras daqueles tempos, alguns mais que outros, como os africanos e os indígenas. Europeus, africanos, indígenas, asiáticos, somos todos a mistura desses povos e culturas.



* VICENTE VUOLO é analista legislativo do Senado, economista e cientista político

vicente.vuolo10@gmail.com



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