Quinta feira, 21 de março de 2019 Edição nº 14726 04/05/2017  










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Caio Mattoso lança Operata Trum, hoje ao vivo

A música vanguardista será mostrada graças a projeto financiado com recursos do Conselho Municipal de Cultura de Cuiabá

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem

O compositor Caio Mattoso enfim apresenta a sua mais recente obra, a “Operata Trum”, num ensaio nesta quinta-feira, 4 de maio, no Gran Bazar PAC, em Cuiabá. A obra, que será disponibilizada na web, é resultado do edital 2015 do Conselho Municipal de Cultura, portanto não teremos a obra física, por exemplo num CD, mas apenas e tão somente o digital - e o ensaio será o lançamento dessa novidade cultural bem cuiabana.

O ensaio acontece com Caio Mattoso acompanhado da percussionista Juliane Grisólia, do violeiro André Balbino e do baixista Igor Carvalho, além de um trio de metais que será composto por Carlos Leal sax, Nemuew Wylk trombone e Kemuel Felipe trompete.

A Operata Trum é composta por cinco músicas: Opereta Trum (Caio Mattoso e Julianne Moura), Inferno no Mapa (Caio Mattoso e Júlio Nganga), Toureiro (Caio Mattoso), Fica Parada (Caio Mattoso) e Lugar Distante (Caio Mattoso e Caio Costa).

A gravação em estúdio contou, além de Caio Mattoso, voz e violão, com as participações de André Balbino, viola caipira; Igor Carvalho, baixo elétrico e violão; Juliane Grisólia, percussão, voz e castanhola; Julianne Moura, voz e produção; Dandara Modesto, voz; Roger Dário, voz, direção de voz principal; Carlos Leal, sax; Lis Barbosa, flauta passarinho, e Maykonn Sauder, na guitarra. A masterização ficou a cargo de So Myung Jung, no Fuerte! Audio (La Paz, Bolívia).

São composições de anos e anos, que nunca tinham sido gravadas e agora, com esse importante apoio do Edital do Conselho Municipal de Cultura de Cuiabá, podem vir ser gravadas e daí também uma preocupação em tornar público. Um exemplo desse ineditismo é a composição “Lugar Distante”, com Caio Costa. Mattoso lembra que a mesma foi composta no início do ano 2000, com sete anos e agora ganha registro. “Vou gravar senão essa música vai ficar perdida e nunca mais vou achar”, explica.

As dificuldades para se gravar músicas que não se enquadram dentro de um padrão de mercado, são imensas, daí a importância do apoio da Prefeitura de Cuiabá, via Conselho Municipal de Cultura. As dificuldades, vamos combinar, não são de hoje e não acontecem apenas em Cuiabá, Mato Grosso, centro da América do Sul. Cartola, por exemplo, só foi gravar o seu primeiro disco em 1974, aos 66 anos de idade, por iniciativa do pesquisador, produtor musical e publicitário Marcus Pereira que fundou a sua própria gravadora para confrontar-se com as multinacionais da música.

O mercado fonográfico, aliado às rádios, impõe uma linguagem musical e muito do que se ouve é muito parecido, dando-nos impressão que o mundo está de cabeça pra baixo, já que o que se toca 24 horas nas emissoras é praticamente a mesma música. E o mundo não é assim e os músicos, compositores “diferentes” sentem essa dificuldade de produzir e colocar no mercado a sua música.

Caio Mattoso, compositor já há um tempo, é sul-mato-grossense de Três Lagoas, embora a família seja cuiabana. A mãe passou em um concurso e foi morar no Estado vizinho, mas logo em seguida voltou para cá, o ano era de 1977. Mas Caio nasceu lá.

A música aparece na sua vida, meio por acaso. Quando estudava o ensino médio, no Afirmativo, torna-se aluno da professora de música Elizete, mãe de Caio Costa, que vem a ser parceiro em “Lugar Distante”. Portanto, Caio Mattoso não é aquele talento nato que começa a tocar desde a mais tenra idade, influenciado por pais, ou avós musicos que tocavam em casa. Ouvia, claro, músicas no rádio, mas nada além que isso. Começou a tocar o violão e como aperfeiçoamento teve um mês de aula de violão, com o guitarrista Robinho. E começou a tocar violão e a escrever.

Estuda Comunicação Social na UNIC, opção Publicidade, mas não chega a se formar. É aquela velha história: começa a trabalhar em agência de publicidade; depois começa a fazer Filosofia na UFMT, mas também não dá continuidade. Nesse meio tempo, acontece o primeiro Festival Calango, para o qual se organiza e participa das duas primeiras edições nos anos 2001 e 2002.

Em 2001, esteve na banda Donalua, tocando baixo e compondo as canções interpretadas pelo grupo. A banda contava com os músicos Bruno Kayapy (Macaco Bong) e Douglas Godoy (Vanguart).

Começa a trabalhar como revisor em jornais, primeiro na Folha do Estado, depois neste Diário. Paralelo a tudo isso, em 2006, começa a fazer teatro, ao entrar no Grupo de Teatro Fúria, e andou parte por uma Brasil e de Mato Grosso e como ator fez muita publicidade, por quatro anos foi muito intenso no teatro. O violão, apesar da paixão pelo teatro, não foi deixado de lado e continuava escrevendo suas músicas.

Em 2010, sua canção "Rap do Gurizão" é selecionada na 4ª Mostra de Música do Sesc Arsenal de Cuiabá-MT. Em 2014 seu "show 200 km/h" foi contemplado no Edital Cultura 2014 do Ministério da Cultura para a realização de cinco apresentações durante a Copa do Mundo da Fifa 2014 em Cuiabá/MT.

Para temperar seu trabalho, Caio Mattoso atualmente por meio do computador (software) ressignifica sua música com novas camadas sonoras de instrumentos, ora tradicionalmente tocados com as mãos.

Em 2015, grava o disco “Montanha” que desperta a curiosidade do maestro Fabrício Carvalho, da UFMT pois fora composto todo ele – com um pouco de sampler – em acordes sinfônicos, porém em digital, e participa, no Teatro Universitário, do espetáculo que misturou MPB, Hip-hop, com participações de Ana Rafaela, Henrique Maluf, Linha Dura e Lorena Ly, além de Caio Mattoso, que fez uma variação da “Montanha” para o show.

Voltemos aos dias atuais. Além do show “ensaio” de lançamento do EP “Operata Trum”, Caio Mattoso torna público o trabalho “Projeto Retângulos do Rio”, já disponível no Youtube, realizado e produzido pelo "Selo Selvagem", no qual Caio Mattoso e Júlio Nganga se reuniram sob um retângulo que correu o rio Cuiabá durante 10 dias, para compor, arranjar e gravar uma música por dia. Eis as canções: “Dois encontros e 49 situações”, “Perto da janela”, “Em todo luar”, “Marchinha funk de carnaval”, “Dias da semana”, “Sinfonia do acaso”, “O asteroide corajoso (1º movimento)”, “A Terra tem o direito de dormir (2º movimento)”, “Sonata do poeta que rouba da rua (3º movimento)”, “Quando todo o cabaré chora contigo” e “Até eu me apagar”. Todas composições de Caio e Júlio Nganga.



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