Domingo, 25 de agosto de 2019 Edição nº 14725 03/05/2017  










ENOCK CAVALCANTIAnterior | Índice | Próxima

Fábio Garcia, traidor

Meus amigos, meus inimigos: tão jovem, em seu 1º mandato, o federal Fábio Garcia, está sendo carimbado como traidor. E não são os adversários que questionam sua honra. A acusação parte do comando nacional do Partido Socialista Brasileiro, ao qual o empresário Fábio Garcia é filiado.

Afastado da presidência do PSB em MT por votar a favor da reforma trabalhista, proposta pelo governo Temer, Fábio diz que não vai aceitar o título de \"infiel\". Tenta negar que possa ser mais um Judas na política. Vejam que o PSB fechou questão contra a reforma trabalhista – e, mesmo assim, o Fábio resolveu seguir a orientação do Planalto e não acatar a orientação de voto do seu diretório nacional.

Em nota divulgada por um desses sites tão amigos de nossos políticos, Garcia tenta explicar sua decisão dizendo que fora motivada pela crise econômica e pelo fato de que existem, atualmente, no Brasil, 14 milhões de desempregados.

Flagrado em traição, o Fábio ainda acha jeito de sugerir que quem estaria traindo os trabalhadores seria, de fato, o comando do PSB. Ora, o PSB assumiu posição contra essa reforma por entender que ela, através das mudanças impostas, irá agravar a situação de desemprego e de miséria entre os trabalhadores. Imagino que a decisão do PSB não foi feita nas coxas, como Fábio Garcia quer dar a entender. Fábio fala como se só ele entendesse de desemprego e de crise econômica, bastando palavra sua para desautorizar a decisão do seu partido. Um novato na política – mas ousado. Ou, mais provavelmente, desaforado.

Apesar dos dados, Fábio Garcia parece não querer ver que, como se tem demonstrado, nesses últimos dias, a reforma trabalhista foi quase toda arquitetada pelas entidades patronais. Basta uma rápida pesquisa na internet para se saber que as associações empresariais são as verdadeiras autoras de uma em cada três propostas apresentadas por parlamentares nessa votação.

Vejam que das 850 emendas apresentadas por 82 deputados durante a discussão da reforma trabalhista, descobriu-se que nada menos que 292 (34,3%) foram integralmente redigidas em computadores de representantes das confederações Nacional do Transporte (CNT), das Instituições Financeiras (CNF), da Indústria (CNI) e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).

Mas fico aqui pensando se o PSB, comandado como vinha sendo pelo Fábio, disporá de lideranças alinhadas com a defesa dos trabalhadores, de acordo com os pressupostos firmados na greve geral de 28 de abril.

Sempre que encontro Suelme Evangelista, que é liderança do PSB, ele me diz que continua “homem de esquerda”, do calcanhar até a testa. Parece que chegou a hora de conferir se existem de fato socialistas no Partido Socialista, em MT.



Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário



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