Sábado, 25 de março de 2017 Edição nº 14696 18/03/2017  










‘CARNE FRACA’Anterior | Índice | Próxima

Exportações podem estar sob risco

Operação que apontou irregularidades sanitárias pode fechar mercados ao país; Mapa interdita frigoríficos e afasta 33 servidores citados no esquema

MAPA
O secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, admitiu preocupação com a repercussão da operação no exterior
MARIANNA PERES
Da Editoria

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou ontem no final da tarde que teme o fechamento de alguns mercados internacionais para a carne brasileira, como consequência da ‘Operação Carne Fraca’ deflagrada na manhã de ontem pela Polícia Federal para desarticular organização criminosa no âmbito do Ministério da Agricultura a partir da Superintendência Federal da Agricultura no Paraná.

O esquema envolveria fiscais do Ministério na liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Grandes empresas do setor como BRF e JBS são alvos da ação. A PF cumpriu mandados nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás, além do Distrito Federal. Mato Grosso ainda não teve nenhuma denúncia citada nas investigações.

Ainda ontem, o Mapa anunciou a interdição de três frigoríficos e o afastamento de 33 servidores envolvidos na operação e destituídos das funções que ocupavam no ministério.

O secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, admitiu preocupação com a repercussão no exterior, observando que o Brasil é um grande player no mercado internacional do agronegócio, exporta atualmente quase US$ 12 bilhões de carnes bovina, suína e de frango por ano. Mas ressaltou que as denúncias se referem a casos isolados e que o produto brasileiro tem reconhecimento no exterior. O Brasil detém o segundo maior rebanho de bovinos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, mas é o maior exportador mundial da proteína vermelha.

A possibilidade de retaliações internacionais ao esquema criminoso na questão sanitária das carnes (que incluem também irregularidades nas liberações de cortes de aves) mobilizou o setor produtivo, principalmente os pecuaristas. Mato Grosso detém o maior rebanho bovino do país, com cerca de 30 milhões de cabeças. Em 2016, a carne bovina se manteve na 4ª posição na pauta externa estadual apesar da retração de 14,8% no faturamento, de 6,2% no volume físico embarcado, mostrando sua importância na formação de divisas para a balança comercial estadual. As exportações do complexo carne, no Estado, somaram no ano passado US$ 1,28 bilhão, sendo que US$ 945 milhões vieram dos embarques de cortes bovinos e US$ 210 milhões da comercialização de carne de aves.

Em nota, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou apoio total e irrestrito à operação e defende a apuração de todos os fatos e a devida punição aos envolvidos no sistema de corrupção investigado. “A garantia da qualidade e a segurança alimentar dos consumidores dependem de ações como esta, que visam impedir a comercialização de produtos que colocam em risco a saúde das pessoas. O Brasil é um dos principais produtores de proteína animal e responsável pela alimentação da população mundial devido aos critérios de segurança e sanidade animal adotados no país e reconhecidos internacionalmente”.

Mesmo com a possibilidade de fechamento de mercados, a entidade “reafirma confiança no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e no quadro de fiscais agropecuários comprometidos com o Brasil e com a população brasileira”.

Também por meio de nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu apuração rigorosa dos fatos com punição exemplar dos envolvidos, em caso de comprovação. "Os produtores rurais têm dado uma grande contribuição ao desenvolvimento nacional. Geram emprego, renda e alimentos de qualidade à população. Portanto, não é justo que tenham a sua imagem maculada pela ação irresponsável e criminosa de alguns", destacou a nota assinada pelo presidente da CNA, João Martins da Silva Junior.



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