Sexta feira, 24 de fevereiro de 2017 Edição nº 14677 17/02/2017  










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Juíza diz que Silval é réu ‘perigoso’

Ex-governador completa hoje 15 meses de prisão; para Selma, o grupo criminoso agiu por "ordem direta" de Silval

DINALTE MIRANDA/DC
Juíza Selma Arruda disse que Silval representa “ameaça” para colaboradores e testemunhas
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado, na decisão que decretou a nova prisão preventiva contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) na Operação Sodoma 5, afirmou que ele “é sem dúvida um dos elementos mais perigosos de todos os enredos que têm se apresentando até o momento neste juízo”.

A Operação, deflagrada na terça-feira (14), pela Delegacia Fazendária (Defaz), investiga suposto esquema que teria desviado R$ 8,1 milhões dos cofres do Estado, entre 2011 e 2014, por meio da exigência de propina aos sócios do Auto Posto Marmeleiro e da Saga Comércio e Serviço de Tecnologia e Informática Ltda., Juliano Volpato e Edézio Corrêa, em troca da concessão de contratos e de compras fraudulentas de combustível.

Conforme Selma Arruda, o grupo criminoso agiu por "ordem direta" de Silval Barbosa para angariar recursos para pagamento de dívidas de campanha. O ex-governador está preso no Centro de Custódia da Capital (CCC) há exatos 15 meses, desde a primeira fase da Operação, deflagrada em setembro de 2015.

“A gravidade concreta das infrações penais praticadas e a posição de liderança deste investigado são fatores que se aliam à fundamentação anterior e são suficientes para justificar sua prisão cautelar. Assim, tratando-se do chefe da organização criminosa, isso por si só é bastante relevante para decretação de sua prisão cautelar”, afirmou a magistrada, na decisão.

Selma Arruda ainda ressaltou que Silval Barbosa tem grande influência política, sendo que sua possível liberdade poderia prejudicar o andamento das investigações.

A juíza citou como exemplo a soltura da esposa do ex-governador, Roseli Barbosa, após a deflagração da operação “Ouro de Tolo”, em 2015.

Conforme a magistrada, interceptações telefônicas confirmaram que Silval ligou para a assessora do então vice e atual presidente da República, Michel Temer (PMDB), e teve como resultado a soltura de Roseli no dia seguinte.

“O indiciado utilizou-se de sua influência política para soltar a esposa. Para tanto, não hesitou em ingressar, em segundo grau, com o pedido de revogação da prisão preventiva, não sem antes telefonar insistentemente para a assessoria do chefe de gabinete do vice-presidente da República Michel Temer. No dia seguinte a esta conversa, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, em liminar, concedeu Habeas Corpus e determinou a soltura de Roseli Barbosa”, afirmou a magistrada.

Selma Arruda também disse que Silval representa grande “ameaça” para os colaboradores e testemunhas dos processos. (Ver matéria ao lado)

OPERAÇÃO - Além de Silval, tiveram mandado de prisão decretado o ex-secretário de Administração, Francisco Faiad; o ex-secretário- adjunto de Administração, José de Jesus Nunes Cordeiro; o ex-secretário-adjunto-executivo da Secretaria Executiva do Núcleo de Trânsito, Transporte e Cidades, Valdisio Juliano Viriato; e o ex-chefe de gabinete do Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo.

Na ação, 10 pessoas foram conduzidas coercitivamente. São elas: procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o ex-secretário de Estado Marcel Souza de Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto, o ex-candidato a prefeito de Cuiabá, Lúdio Frank Mendes Cabral, os empresários Wanderley Fachetti Torres, Rafael Yamada Torres, Diego Pereira Marconi, Valdecir Cardoso de Almeida, Wilson Luiz Soares Pereira e Mário Balbino Lemes Júnior.

Os suspeitos são investigados em fraudes a licitação, corrupção, peculato e organização criminosa em contratos celebrados entre as empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda. e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática Ltda., nos anos de 2011 a 2014, com o governo do estado de Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil apurou, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (SAD) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 e 2014, do estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas. Com o dinheiro desviado efetuaram pagamento de propinas em benefício da organização criminosa no montante estimado em mais de R$ 7 milhões.



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